Plataforma permite criar soluções para cidades mais inteligentes

A InterSCity visa a oferecer uma estrutura tecnológica para facilitar o desenvolvimento de aplicações em cidades inteligentes

Por - Editorias: Tecnologia
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Arte sobre foto de Marcos Santos/USP Imagens

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InterSCity é uma plataforma inovadora e aberta que tem como principal objetivo facilitar o desenvolvimento de software e aplicativos para cidades inteligentes. Criada pelo Centro de Competência em Software Livre do IME e contando com a participação central do aluno de mestrado Arthur Del Esposte, o trabalho foi premiado na sexta Conferência Internacional de Cidades Inteligentes e Sistemas TIC Verdes (Smartgreens), na cidade do Porto, em Portugal.

Resultado da pesquisa que teve orientação do professor Fabio Kon, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, a plataforma buscou uma nova perspectiva em termos de tecnologia para cidades inteligentes. “Ao invés de oferecermos soluções fechadas para as cidades inteligentes, queremos contribuir para que os desenvolvedores criem suas próprias soluções”, afirma o aluno premiado e desenvolvedor da InterSCity.

Mas o que é afinal uma cidade inteligente? Em uma definição ampla, trata-se de uma visão de desenvolvimento urbano que tenta integrar tecnologia de informação e comunicação e a chamada Internet das Coisas (conexão em rede de dispositivos e objetos do cotidiano entre si, com os usuários e com a internet para troca de informações em tempo real). Tudo isso para gerenciar de forma mais racional uma cidade, oferecendo uma melhor sustentabilidade e qualidade de vida a todos os seus cidadãos. Basicamente, conta-se com tecnologias que integram dados e informações dinâmicas, muitas vezes colhidas em tempo real, para planejar, gerir recursos e oferecer serviços aos cidadãos de forma mais eficiente.

Tema de pesquisa com cada vez mais destaque em diferentes áreas, as cidades inteligentes têm até mesmo um espaço dedicado na USP: o INCT Internet do Futuro para Cidades Inteligentes, coordenado por Fabio Kon e apoiado pelo CNPq, Capes e Fapesp.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Uma plataforma livre

Surgidas na Antiguidade, as primeiras cidades nasceram como assentamentos e pontos de encontro comercial. Seu crescimento, quase sempre orgânico, não contava com planejamento prévio, mas sim com a criação de soluções que cidadãos e gestores foram levados a implementar conforme a necessidade.

Del Esposte lembra que uma cidade como São Paulo, com mais de 400 anos, não contou com planejamento inteligente em sua origem, mas justamente por esse motivo é uma das cidades que mais precisam de novas soluções.

Mesmo hoje, “as decisões nem sempre são tomadas com inteligência, pois faltam dados suficientes”, explica ele ao reforçar que tanto o campo da mobilidade quanto o da saúde e da segurança pública poderiam contar com uma plataforma como a InterSCity para aprimorar a governança das cidades.

Foto: Oswaldo Corneti / Fotos Públicas

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Já em versão funcional, a plataforma existe a partir dos dados que lhe são alimentados. “São Paulo já tem iniciativas de liberação de dados. A própria SPTrans, por exemplo, disponibiliza os dados dos ônibus e já existe um portal de dados abertos com dados estáticos sobre a cidade”, exemplifica o pesquisador.

Até agosto, Del Esposte pretende disponibilizar a plataforma na internet para começar a integrar dados da cidade de São Paulo, “para que as pessoas consigam desenvolver aplicações em cima dela”, pontua.

Diagrama explicativo sobre a plataforma InterSCity. Fonte: Arquivo do pesquisador

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InterSCity foi concebida para oferecer serviços que viabilizam a comunicação entre diversas aplicações diferentes. Um exemplo disso já foi desenvolvido por um grupo de alunos do próprio IME, que criou uma aplicação utilizando dados de internações do SUS. “A ideia foi verificar quão bem os equipamentos da cidade estão alocados. Neste caso, notamos que uma unidade de saúde dispõe de uma determinada especialidade médica, quando a maioria dos pacientes que precisam dessa especialidade estão do outro lado da cidade, então faria mais sentido aproximá-la dessas pessoas”, ilustra o engenheiro.
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O objetivo dessa aplicação específica é visualizar dados e computar métricas para ajudar o gestor público.

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Cidades que pertencem às pessoas

Ao focar seu mestrado na criação de uma plataforma que pudesse ajudar no desenvolvimento de diversas aplicações para cidades inteligentes, o estudante se inspirou na filosofia por trás do chamado Software Livre, programas com código fonte aberto, que são disponibilizados com uma licença na qual o detentor dos direitos autorais fornece os direitos de estudar, alterar e distribuir o software a qualquer pessoa.

Pelo fato da plataforma ser livre, foi possível ter contribuições de mais de 25 pessoas para a InterSCity, principalmente alunos do próprio IME, que desenvolveram aplicações utilizando a plataforma.

Foto: Edson Hatakeyama – CESCOM/SMS via Flickr – CC

A principal meta do pesquisador com o uso de software livre é conseguir contribuições que vão além dos trabalhos do IME. “Ao invés de se desenvolver uma infraestrutura própria para integrar sensores de uma cidade, pode-se utilizar uma infraestrutura compartilhada por meio da plataforma que nós criamos”, esclarece ele.

InterSCity faz a intermediação da comunicação entre aplicações para usuários finais e os sensores e os serviços que coletam dados da cidade e interagem com a cidade em si. Com isso, ao invés de várias soluções isoladas surgindo em diferentes cidades, a plataforma pode unificar tais iniciativas. “Acreditamos que é fundamental para cidades inteligentes desenvolver plataformas e tecnologias livres, para não ficarem presas a empresas específicas, entre outras vantagens”, destaca Del Esposte.

Foto: André Tambucci / Fotos Públicas

Não é necessário ser um gestor urbano para compreender que existem vários problemas que cidades diferentes têm em comum. Muitas vezes, defende o desenvolvedor, essas soluções podem ser compartilhadas. “A ideia de cidades inteligentes é justamente utilizar os recursos das cidades de forma inteligente para que você consiga prover melhores serviços para o cidadão”, salienta.

Para o pesquisador, é somente por meio de software e tecnologias livres que a cidade poderá pertencer verdadeiramente às pessoas.

O artigo InterSCity: A Scalable Microservice-based Open Source Platform for Smart Cities pode ser acessado neste link.

Mais informações: sites http://interscity.org e http://www.smartgreens.org, e-mail esposte@ime.usp.br, com Arthur Del Esposte
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