Novo instituto pesquisa robôs que atuam de forma coletiva

Estudo de Sistemas Autônomos Cooperativos tem a observação da natureza como uma de suas inspirações

Por - Editorias: Tecnologia
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Comportamento animal foi uma das inspirações para o estudo de Sistemas Autônomos Cooperativos – Foto: Vitor Guizilini.

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Com certeza você já deve ter visto em algum lugar um enxame de abelhas, um cardume de peixes ou então um bando de aves voando pelo céu. O que você nem imagina é que os movimentos perfeitamente sincronizados desses animais serviram de inspiração para o estudo de Sistemas Autônomos Cooperativos, campo da robótica que propõe o desenvolvimento de robôs que atuem em rede para executar uma tarefa.

A ideia de desenvolver robôs que trabalhem de forma coletiva, assim como muitos seres vivos fazem, surgiu a partir do conceito de Swarm, conhecido como robótica de enxame. Até a década de 80, a utilização da robótica estava limitada a operações de máquinas dentro das indústrias. Porém, conforme a capacidade de processamento de dados dos computadores foi evoluindo, novas vertentes da robótica começaram a se estruturar, entre elas a cooperativa.

Um exemplo real de onde os estudos dessa área podem ser aplicados é no mapeamento de uma grande zona rural. Imagine que dezenas ou centenas de drones sejam capazes de se comunicar e desempenhar essa função em conjunto. Com esse “trabalho em equipe”, teríamos um resultado muito mais rápido, eficaz e detalhado do que se utilizarmos apenas uma aeronave para o trabalho.

Segurança e meio ambiente são outros cenários em que se pode desenvolver pesquisas utilizando a cooperação entre robôs. A importância das áreas e a carência de investimentos nesses setores foram algumas das razões que motivaram a criação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Sistemas Autônomos Cooperativos (InSAC), sediado na Escola de Engenharia (EESC) da USP em São Carlos.

Por meio de uma rede de cientistas vindos de universidades, institutos e empresas nacionais e internacionais, serão desenvolvidos estudos que pretendem, por exemplo, contribuir com a preservação da floresta amazônica, o aumento de produtividade das plantações, a segurança na mobilidade urbana, a extração de petróleo na camada do pré-sal, melhorias no cultivo agrícola, entre outros. Para alcançar esses objetivos, o InSAC atua na pesquisa de cinco grandes áreas: robótica aérea, robótica terrestre, robótica subaquática, teoria de controle de sistemas e inovação.

“O maior desafio em pesquisar dentro desse campo é garantir a confiabilidade dos sistemas. Por isso, devemos torná-los capazes de enfrentar as situações mais imprevisíveis”, explica Marco Henrique Terra, professor da EESC e coordenador do instituto. A equipe do InSAC conta com 38 pesquisadores que trabalham nos mais diversos campos da robótica. “Essa integração é bastante saudável para otimizar os recursos em pesquisas, que estão cada vez mais escassos”, completa Terra.

Segundo o especialista, no País a área de Sistemas Autônomos Cooperativos ainda tem muito a evoluir cientificamente quando comparada ao patamar em que ela se encontra nos Estados Unidos, Japão, China e países da Europa. Apesar da crise econômica que o Brasil atravessa, Terra acredita que as autoridades já estão cientes de que investimentos em ciência e tecnologia são fundamentais para um desenvolvimento sustentável.

Workshop reuniu pesquisadores do InSAC para discutir as diretrizes das pesquisas que serão desenvolvidas – Foto: Marcelo de Faria

Unidos pela pesquisa

Além da USP, representada por cientistas da EESC, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e do Centro de Robótica de São Carlos (CRob), estão envolvidos no InSAC pesquisadores de cinco universidades federais: a de Minas Gerais (UFMG), a de São Carlos (UFSCar), a do Amazonas (Ufam), a do Rio de Janeiro (UFRJ) e a do Ceará (UFC). O InSAC conta também com a participação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de dois institutos: o Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). Participam ainda da iniciativa o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) e as empresas Flight Technologies (FT) e Omega AeroSystems Ltda.

A proposta de criação do InSAC foi aprovada em outubro de 2016, quando o comitê de coordenação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) definiu os 101 projetos aceitos em chamada lançada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 2014.

Apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o InSAC iniciou suas atividades em janeiro deste ano e as expectativas sobre os trabalhos que estão sendo desenvolvidos são enormes. “Esperamos produzir ferramentas muito úteis tanto do ponto de vista científico quanto tecnológico para que possamos dar esse retorno à sociedade”, finaliza Terra.

Henrique Fontes / Assessoria de Comunicação do InSAC

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