Reprise de telenovela pode mudar visão do público sobre a trama e os personagens

O artigo “Telenovela e memória: Vale a pena ver de novo?, reprises em tempo de pandemia”, publicado na “Revista Rumores”, traz os resultados de uma pesquisa on-line feita com 265 pessoas

 18/03/2021 - Publicado há 6 meses
Crô, de Fina Estampa (2011): homossexual e vítima constante de humilhações, personagem foi apresentado como alívio cômico da narrativa. Reprise em 2020 gerou críticas do público nas redes sociais – Foto: João Miguel Júnior/ Rede Globo

 

As reprises de telenovelas não são algo novo na televisão brasileira: a TV Globo exibe novelas antigas no período da tarde desde 1969. Somente na última década, de 2010, foram reprisadas 19. Mas, durante a pandemia do coronavírus, em decisão inédita, a emissora tirou do ar todas as telenovelas que estavam em exibição e passou a transmitir somente reprises; decisão semelhante foi tomada pela Record TV e outros canais.

A partir de questionário on-line, respondido por 265 pessoas sobre o consumo de reprises de telenovelas durante a pandemia, um grupo de pesquisadores constatou, entre outros achados, que a reprise pode alterar a percepção sobre temas sociais ou julgamentos de valores do público.

Os dados estão no artigo Telenovela e memória: “Vale a pena ver de novo?”, reprises em tempo de pandemia, publicado na edição 28 da Revista Rumores, que procura observar as práticas de consumo de telenovela no contexto de distanciamento social provocado pela pandemia de covid-19.

Escrito pela equipe de pesquisa formada por Nilda Jacks, Guilherme Libardi e Joselaine Caroline, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Vanessa Scalei, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o trabalho apresenta os resultados de um questionário on-line, respondido por 265 pessoas, sobre o consumo de reprises de telenovelas durante a pandemia.

Entre os objetivos da equipe estava avaliar o uso das reprises na estratégia das emissoras, explorar o consumo dessas reprises durante a pandemia e identificar a ocorrência de novos sentidos para as narrativas de ficção televisiva ao serem revisitadas pela audiência.

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Segundo o artigo, “no período de pandemia, quando as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa, os índices de audiência de televisão aumentaram”, beneficiando, sobretudo, os canais pagos e os serviços de streaming. O consumo de reprises de telenovelas também aumentou: antes da pandemia, 40% dos respondentes do questionário disseram assistir a telenovelas apenas eventualmente, sendo que quase metade (49%) afirmou não assistir a novelas reprisadas. Por outro lado, durante a pandemia, 65% das pessoas estavam acompanhando ou já tinham visto alguma reprise. E por que assistir a uma reprise de novela? Ver personagens cativantes e o sentimento de nostalgia em relação à narrativa foram as motivações apontadas pelos respondentes do estudo.

Outro aspecto importante levantado pela equipe de pesquisa foi a mudança de visão do público sobre a trama e os personagens ao assistir a uma reprise. Mais do que um simples relembrar da história, o ato de assistir novamente a uma telenovela provoca alguma mudança de percepção em relação aos temas sociais abordados ou aos padrões de comportamento representados na obra. “A telenovela representa um espaço de problematização do Brasil. Portanto, ver uma telenovela reprisada é revisitar uma realidade em que outros padrões de comportamento e regimes de representação davam os contornos dos debates, anseios e moralidades de um tempo passado”, conclui o estudo.

Sobre a edição 28 da Revista Rumores

Rumores  Revista Online de Comunicação, Linguagem e Mídias conta em sua edição 28 com o dossiê Ficções Televisivas: Deslocamentos e Rupturas, que reúne dez textos de pesquisadoras e pesquisadores sobre a temática. A edição conta ainda com uma homenagem ao professor Arlindo Machado, além de quatro artigos sobre cultura audiovisual e uma resenha do livro Jornalismo das Periferias.

Da Assessoria de Comunicação da Escola de Comunicações e Artes (ECA)

Mais informações: e-mail comunicaeca@usp.br, na Assessoria de Comunicação da Escola de Comunicações e Artes


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