Relatório inédito aborda inovação de base científica no Brasil em 2020

O documento foi feito pela Emerge, consultoria de inovação com base em ciência que nasceu na USP, e ouviu quase 700 cientistas sobre seus projetos de estudo e dificuldades encontradas na pesquisa científica

Jornal da USP no Ar de hoje (2) abordou o Relatório Horizonte Inovação & Ciência, estudo de 2020 que entrevistou 693 cientistas para falarem sobre seus trabalhos relacionados à inovação científica e os resultados. O relatório pode ser acessado gratuitamente neste link. O diretor da Emerge e mestre em Modelagem de Sistemas Complexos pela USP, Daniel Pimentel Neves, comentou que o estudo contou com parcerias de diversos representantes de incubadoras, parceiros corporativos e grandes indústrias. 

Essas empresas também produzem estudos relacionados à inovação em ciência transacional, ou seja, “que sai da bancada e chega no mercado”, como explica o especialista. Diferentemente dessas pesquisas, que têm foco institucional, Pimentel Neves afirma que o relatório da Emerge deseja saber os avanços científicos a partir da perspectiva dos próprios cientistas.

Devido à pandemia, uma das áreas de pesquisa mais relatadas no estudo foi em torno da covid-19: 23% dos cientistas entrevistados redirecionaram suas rotas de pesquisa para o coronavírus. Alguns já tinham área de pesquisa semelhante e mudaram o foco, mas outros não. Dentro do tema, o relatório aborda cientistas que estudam diversas áreas, como fármacos, vacina, diagnósticos ou equipamentos médicos. 

Pimentel Neves destaca que o Brasil está avançando cada vez mais em inovação na ciência. No meio institucional foram feitos uma Emenda Constitucional em 2015, que acrescentou 15 vezes o termo “inovação”, e uma reforma no Marco Legal Ciência Tecnologia, a qual trouxe medidas para flexibilizar a relação entre universidade e empresa. Para ele, também há uma mudança de cultura. Explica que as universidades estão sabendo lidar mais com inovação e os cientistas brasileiros estão mais dispostos a direcionar suas rotas de pesquisa para inovar, aprendendo novas maneiras de levar os estudos acadêmicos para a sociedade.

Para além da inovação é necessária uma atuação do governo em políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação, pontua o especialista. Ele acredita que também é essencial atrair o capital privado, por meio de apoio das indústrias. As principais dificuldades relatadas pelos cientistas no relatório foram a burocracia das agências reguladoras e a escassez de capital público para a etapa de desenvolvimento tecnológico dos estudos. Aponta, ainda, que algumas soluções vêm sendo tomadas por meio de instituições como a Anvisa, que produziu trabalhos para a redução de burocracia, e a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), que faz iniciativas de investimento de capital, mas, ainda assim, a situação não é a ideal. “A gente tem caminhado, mas definitivamente não a passos rápidos. A gente precisa acelerar.”


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