Planta cultivada na Lua morreu, mas corrida espacial está mais viva do que nunca

Semente de algodão que germinou no lado oculto da Lua viveu poucos dias, mas o suficiente para deixar sua existência marcada na história da ciência e da tecnologia

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Foto: Divulgação CNSA

Uma morte anunciada esta semana deixou quem acompanha o noticiário da astronomia um pouco cabisbaixo, mas está longe de ser uma tragédia. Na verdade, é parte do enredo de uma aventura que está apenas no início: a nova era da exploração espacial. O broto que os cientistas chineses conseguiram fazer germinar na Lua por alguns dias não resistiu às baixas temperaturas, quando o sistema de aquecimento desligou – mas sua breve existência já ganhou lugar na história da ciência.

O feito chinês se deu após o também histórico pouso de uma sonda na chamada face oculta do nosso satélite, o lado que não é visto da Terra. A missão que levou a sonda Chang’e também deu uma carona até a Lua para ovos de drosófila (mosca-da-fruta), leveduras (fungos), batatas e sementes de uma flor, a arabidopsis, que costuma ser usada em experiências genéticas. Destes organismos, só o broto de algodão se desenvolveu por alguns dias.

Sobre o assunto, o Jornal da USP conversou com Ana Carolina Carvalho, pesquisadora em astrobiologia no Instituto de Química (IQ) da USP, que explicou as dificuldades enfrentadas para a vida prosperar no espaço, mesmo num ambiente que tenta simular as condições da Terra.

Falamos também com o astrônomo Douglas Galante, pesquisador no Núcleo de Pesquisas em Astrobiologia da USP, que destacou a fronteira tecnológica superada com este primeiro pouso no lado oculto, levando organismos vivos e com o equipamento controlado de maneira autônoma.

O professor Roberto da Costa, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, comentou a nova relevância que a Lua ganhou na corrida espacial atual. Ele contou ainda os próximos passos desta missão e também outros planos da CNSA, a agência espacial da China.

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