Pesquisador vem à USP estudar aplicações de modelos computacionais

Fluxo de capitais, dinâmica populacional e doenças infecciosas estão entre áreas em que modelos serão testados

Por - Editorias: Ciências
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Como utilizar a modelagem computacional para aplicar uma teoria sobre a difusão da matéria como referência para a análise de fenômenos biológicos, socioeconômicos e ecológicos e, ao mesmo tempo, utilizar essa abordagem como estímulo à cooperação interdisciplinar?

Essa tarefa estará a cargo do novo professor visitante do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, o engenheiro Luiz Bevilacqua, Professor Emérito do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ e membro da Academia Brasileira de Ciências.

Ele desenvolverá seu projeto de pesquisa no instituto por um ano, com início em fevereiro. Com sua contratação, o IEA passa a contar novamente com um professor visitante brasileiro. Isso foi possível com uma alteração nas normas da USP, que de 2011 a 2016 permitiam a contratação apenas de pesquisadores estrangeiros.

Luiz Bevilacqua, professor emérito da Coppe-UFRJ - Foto: Leonor Calazans/IEA-USP
Luiz Bevilacqua, Professor Emérito da Coppe-UFRJ – Foto: Leonor Calazans/IEA

Pesquisa teórica

O projeto de Bevilacqua chama-se Processos complexos de difusão com aplicações em fenômenos físico-químicos, socioeconômicos e evolutivo-reativos. Motivação para o desenvolvimento de cooperação interdisciplinar. Segundo ele, a proposta enquadra-se no uso de modelos matemático-computacionais aplicados, “cada vez mais importantes para a simulação de certos fenômenos provenientes, sobretudo, das áreas biológicas, socioeconômicas e ecológicas, abrangência que demonstra sua importância para a convergência interdisciplinar”.

A atividade central do novo professor visitante será o aprofundamento da pesquisa sobre uma nova teoria que ele propõe para a representação de processos de transporte de massa. Bevilacqua defende que os modelos teóricos atuais estão incompletos, pois consideram que esse fluxo é unimodal, “sendo no entanto plausível que em certos casos o processo seja bimodal”.

Bevilacqua afirma que o estágio já alcançado nessa investigação teórica “abre grandes perspectivas de aprofundamento da teoria e de suas aplicações em modelagem de fenômenos físicos e socioeconômicos”.

Em razão dessas possíveis aplicações, ele pretende contar com a cooperação de docentes e estudantes da USP para a definição e testes dos modelos em diferentes áreas do conhecimento. Por isso sua proposta prevê a realização de seminários e discussões com a participação de pequenos grupos de interessados em cada área.

As primeiras atividades desse tipo tratarão de três fenômenos: fluxo de capitais, considerada a presença de fontes e sumidouros; dinâmica populacional influenciada por fatores externos; e epidemiologia e doenças infecciosas.

Cooperação interdisciplinar

Em paralelo à pesquisa teórica sobre o fluxo de matéria, Bevilacqua também emprestará sua vasta experiência em gestão acadêmica e política científica e tecnológica para estimular a cooperação interdisciplinar com o uso da modelagem computacional.

A ferramenta para isso será a realização de seminários sobre propagação de epidemias (dengue, malária etc.), levando-se em conta o fluxo de humanos infectados e recuperados; dinâmica populacional de espécies ameaçadas; e difusão do conhecimento e informações veiculadas pelos meios de comunicação tradicionais.

Ele prevê ainda a realização de encontros sobre outros temas a serem propostos por docentes e estudantes da USP interessados no projeto.

Livro

Além da produção de trabalhos a serem publicados em revistas científicas e de engenharia, Bevilacqua pretende preparar a produção do livro Modelos Matemático-Computacionais Aplicados, que será editado pelo IEA. A obra deverá ter cerca de 300 páginas e contar com contribuições de ao menos dez pesquisadores.

O primeiro capítulo será uma introdução à modelagem matemática computacional e os demais tratarão de problemas específicos explorados nos seminários. Será dada ênfase, sempre que possível, a aplicações que possam auxiliar na solução de problemas concretos. A ideia é que a obra seja escrita de forma a ser acessível a estudantes de graduação dispostos a enfrentar novos desafios.

Perfil

Ao longo de sua carreira, Bevilacqua desempenhou inúmeras atividades profissionais além do ensino e pesquisa na academia, tendo participado de vários projetos de engenharia; de instituições de fomento à pesquisa e de coordenação de políticas científicas e tecnológicas, da governança de universidades e outras instituições de pesquisa e de várias sociedades científicas.

Engenheiro civil formado pela Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil (atual UFRJ), Bevilacqua é especializado em Estruturas pela Escola Superior de Tecnologia de Stuttgart, Alemanha, e doutor em Mecânica Aplicada pela Universidade Stanford, EUA.

Entre os cargos que exerceu destacam-se os de reitor da Universidade Federal do ABC, diretor da Coppe/UFRJ, vice-reitor acadêmico da PUC de SP, secretário geral do Ministério da Ciência e Tecnologia, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e presidente da Agência Espacial Brasileira.

Com informações da Assessoria de Comunicação do IEA

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