Pesquisa inédita revela perfil dos egressos dos cursos da USP

A pesquisa foi desenvolvida pela Vice-Reitoria e teve como objetivo mapear o perfil dos formados pela Universidade. A pesquisa contou com a parceria das Pró-Reitorias de Graduação e de Pós-Graduação e o Departamento de Informática da Vice-Reitoria Executiva de Administração.

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O perfil médio de um egresso de graduação da USP é de um homem, com idade até 40 anos, que trabalha em uma grande empresa, ganha entre R$ 3 mil e R$ 6 mil e está satisfeito com a qualidade do corpo docente e do ensino que recebeu na Universidade. O egresso da pós-graduação tem até 45 anos, trabalha no setor público e ganha um pouco mais, de R$ 6 mil a R$ 10 mil. Ambos consideram que a Universidade contribuiu muito para o autodesenvolvimento e a aquisição de novos conhecimentos, mas não para a adoção de um estilo de vida mais saudável.

Essas são algumas das constatações de uma pesquisa inédita desenvolvida pela Vice-Reitoria, que teve como objetivo mapear o perfil dos formados pela Universidade. A pesquisa contou com a parceria das Pró-Reitorias de Graduação e de Pós-Graduação e o Departamento de Informática da Vice-Reitoria Executiva de Administração.

A pesquisa, realizada entre os meses de outubro a dezembro do ano passado, foi desenvolvida por meio de um questionário disponibilizado no Portal da USP. Cerca de 12 mil questionários foram respondidos e, após a filtragem dos dados, 10.301 foram selecionados para a análise.

“Embora a pesquisa ainda esteja em uma fase inicial, o contato com nossos egressos é importante fonte de informação”, ressalta o vice-reitor da Universidade, Hélio Nogueira da Cruz, que também preside a Comissão Permanente de Avaliação (CPA).

O sistema da pesquisa, batizado de Egressos USP, foi elaborado pelo Departamento de Informática, com a utilização das estruturas de acompanhamento de egressos que já existiam nos sistemas Júpiter, da Graduação, e Janus, da Pós-Graduação.

O questionário foi dividido em quatro partes. Na primeira parte, o egresso deveria informar dados referentes ao ano de formação, área de atuação e faixa salarial. Na segunda parte, numa escala de 1 a 5, o egresso deveria avaliar a infraestrutura física e acadêmica da Universidade. A terceira parte estava relacionada ao mercado de trabalho e o quarto conjunto de itens estava baseado no chamado “questionário sobre metas de vida”, desenvolvido pelos pesquisadores da University of Rochester, Edward Ryan e Richard Deci.

Perfil dos egressos

Todas as Unidades de Ensino e Pesquisa, Museus, Institutos e Centros Especializados estiveram representados na pesquisa, com a participação de, pelo menos, 5% de respondentes relativos ao respectivo número de egressos nos últimos dez anos.

Do universo de questionários analisados, 3.194 respondentes fizeram apenas cursos de graduação na USP e 7.107 fizeram tanto a graduação quanto a pós-graduação na Universidade. Nos dois públicos, a maior parte dos respondentes foi de homens (53% na graduação e 52% na pós-graduação).

A faixa etária de grande parte dos egressos de graduação analisados é de até 40 anos, representando 73% da amostra. Na pós-graduação, 74% da amostra referem-se à faixa etária até 45 anos. No que se refere à formação no ensino médio, 33% dos egressos o cursaram exclusivamente em escola pública. Em relação ao ensino fundamental, essa porcentagem chega a 38%.

No tocante ao setor profissional, 49% dos egressos de graduação estão atuando no setor público e 8% em empreendimentos próprios. Na pós-graduação, o setor público responde por 62%. Quanto ao porte da empresa, 60% dos egressos de graduação estão em grandes empresas. Na pós-graduação, essa porcentagem chega a 65%.

A variação entre o percentual de cada faixa salarial não é significativa, sobressaindo, na graduação, a porcentagem dos egressos (26%) que ganha entre R$ 3 mil e R$ 6 mil e, na pós-graduação, entre R$ 6 mil e R$ 10 mil (32%).

Avaliação de 1 a 5

No segundo conjunto de itens analisados na pesquisa, os egressos tiveram a oportunidade de avaliar, em uma escala de 1 a 5 (péssimo a excelente), itens sobre adequação do currículo, biblioteca e infraestrutura, qualidade docente até o quanto o ambiente acadêmico foi intelectualmente desafiador.

O resultado das análises, que tiveram valores ligeiramente elevados na pós-graduação, mostrou que os sete itens pesquisados foram avaliados como ótimos. Entretanto, a questão da qualidade dos equipamentos foi a menos bem avaliada, com média de 3,6, e a qualidade docente com a maior média entre os grupos (4,1).

“Essa pesquisa reforçou a ideia de que o que faz a diferença nos cursos são os professores da Universidade. Confirma que nossa força está, sobretudo, nos nossos recursos humanos”, afirma o vice-reitor.

O terceiro bloco do questionário envolveu questões referentes a mercado de trabalho, no qual o egresso deveria avaliar no que a contribuição do curso para sua atuação profissional, conhecimento técnico sobre a área de atuação, capacidade de comunicação oral e escrita, ética profissional e consciência ambiental. O valor da escala 1 referia-se a nada, 3 a moderamente e 5 a muito.

Embora com pequena variação, os egressos de graduação e de pós-graduação avaliaram positivamente os itens do terceiro bloco. O item que recebeu a avaliação mais desfavorável foi o de consciência ambiental (média de 3,36). A contribuição do curso para a atuação profissional foi a mais bem avaliada, com média de 4,4.

Metas de vida

A última parte da pesquisa foi baseada no “questionário sobre metas de vida”, desenvolvido pelos pesquisadores da University of Rochester, Edward Ryan e Richard Deci. Esse conjunto de itens abrangia questões referentes às chamadas aspirações intrínsecas — desenvolvimento pessoal, contribuições à comunidade e relações significativas — e aspirações extrínsecas — relacionadas à riqueza, fama e imagem. Nessas questões, o valor da escala 1 referia-se a nada, 3 a moderamente e 5 a plenamente.

A análise dos resultados mostrou que os egressos de graduação avaliaram de maneira mais positiva o item “desenvolver-se e adquirir novos conhecimentos”, com média de 4,48, seguido de “ter bons amigos” (média 3,94), “ser bem sucedido financeiramente” (média 3,65), “ajudar outras pessoas a melhorar suas vidas” (média 3,57), “ter o nome conhecido por muitas pessoas” (média 3,45) e “trabalhar para tornar o mundo ecologicamente sustentável” (média 3). O item que teve o menor grau de avaliação (2,79) foi “ter um estilo de vida que promove a saúde física”. O mesmo padrão de resultado foi observado nos egressos da pós-graduação, com ligeira elevação nos valores apontados.

Próximas etapas

Os resultados do levantamento estão sendo utilizados nos trabalhos da CPA, que inicia o planejamento do quarto ciclo de avaliação dos Departamentos e Unidades (leia matéria nesta página). “Existia uma lacuna de informações referente à opinião dos egressos sobre vários aspectos de suas experiências em nossa Universidade, por exemplo, quanto à estrutura e organização curricular, aos vários aspectos da formação cidadã e profissional que lhes foi oferecida e quanto à infraestrutura”, considera o vice-reitor.

Segundo ele, a proposta é de que, a etapa seguinte do projeto, seja a institucionalização de um grupo na CPA que atuará exclusivamente com o tema egressos. Além de criar um canal de relacionamento ágil e direto com esse público, com a base de dados consolidada, será possível formar comunidades, nos mesmos moldes das redes sociais, de acordo com o curso e a turma, para divulgar ações e promover eventos, por exemplo. A geração do cadastro de egressos também facilitará novas pesquisas.

As Pró-Reitorias de Graduação e de Pós-Graduação e as Unidades de Ensino e Pesquisa poderão ter acesso aos dados para realizar estudos mais completos e detalhados e desenvolver projetos específicos em suas áreas de atuação.

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