Os serviços de transmissão on-line apresentam mais qualidade do que as produções da TV aberta?

Artigo publicado na revista “Matrizes” discute a qualidade nas TVs aberta e fechada, a neurose pela novidade e a relação com a Netflix e outros serviços de streaming

Margareth Artur / Portal de Revistas da USP

Há 70 anos, chegava ao Brasil um equipamento muito aguardado pelas famílias, a ser colocada, de início, na sala dos lares: a televisão. Em 1972, surgiu a TV em cores e a novidade fez grande sucesso. Antes um móvel pesado, parte da sala de estar, hoje em dia a TV física é leve e fina, podendo compor não só a sala, mas o quarto, o escritório, no tamanho ao gosto do cliente: pequena, grande ou home theater, um sistema televisivo que conta com uma tecnologia avançada, um verdadeiro “cinema em casa”. Mas não foi só a TV física que mudou. A TV, como meio de comunicação, ao longo dos anos, abrigou conteúdos e formatos muito diversos, tendo em vista o avanço da tecnologia nesse assunto. 

O artigo A “televisão do futuro”? Netflix, qualidade e neofilia no debate sobre TV, publicado na revista Matrizes, relata que, como meio de comunicação, a TV brasileira se vê às voltas, mais uma vez, com a seguinte questão: a televisão vai acabar? E qual é o futuro da TV? Para abordar esse assunto, as autoras Mayka Castellano e Melina Meimaridis explicam que a TV “tradicional”, TV fechada ou linear conta com uma grade de programação fixa, “dependente da venda do horário comercial”, e, em contrapartida, com o avanço veloz do mundo tecnológico, surgiu uma opção nova para o telespectador: a TV a cabo, a TV aberta ou TV fechada, “dependente da venda de assinaturas”, que dispõe de vários e diferentes canais televisivos, brasileiros e estrangeiros. Ressalta-se que “a principal distinção desses serviços é a liberdade do fluxo e a consequente independência da grade de programação”. 

No fim do século 20 aparece uma novidade maior ainda: o serviço de streaming, ou seja, uma plataforma cujo sistema lida com a distribuição de conteúdos visuais ou sonoros pela internet. Nesse contexto, o artigo tem como foco o serviço de streaming mais popular no Brasil, a Netflix, analisando, a partir de dados de acesso, tendências de investimento empresarial e reportagens, e o que o público e a crítica esperam com o surgimento do serviço.

Qual é a televisão do futuro? Para responder às perguntas, de acordo com as autoras, é preciso analisar como se formou a ideia, nas mídias, de os serviços de streaming simbolizarem um novo tempo, uma revolução, uma transformação representada pela Netflix. Segundo as autoras, as atividades pertinentes ao streamingfuncionam, na verdade, como atualizações de modelos consagrados na TV linear”. Pelo visto, o fim da televisão parece estar longe, pois a TV aberta, a tradicional, entra na casa dos brasileiros na porcentagem de 96,4%, muito à frente da TV fechada ou paga, com 31,8%.

As elites econômicas, intelectuais e culturais brasileiras consideram a TV aberta um meio de comunicação popular e “ruim”. É nesse ponto que as autoras argumentam que, para quem defende a suposta qualidade indiscutível das produções das TVs pagas, “os investimentos mais recentes da Netflix em produções originais contrariam os discursos de distinção e qualidade promovidos pela empresa”, visto “o investimento em aquisições oriundas da TV linear e o comissionamento de reality shows”. Segundo a pesquisa, serviços como a Netflix não contam com produções que possam simbolizar a não televisão e a qualidade televisiva, tendo em vista que se baseiam em padrões já consagrados da TV, esta mesma que, aparentemente, agoniza, mas, pelo visto, não morre tão cedo. 

Artigo

CASTELLANO, M.; MEIMARIDIS, M. A “televisão do futuro”? Netflix, qualidade e neofilia no debate sobre TV.  Matrizes, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 195-222, 2021. ISSN: 1982-8160. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v15i1p195-222. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/matrizes/article/view/175844. Acesso em: 15 jun. 2021

Contatos

Mayka Castellano Universidade Federal Fluminense, Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Niterói – RJ.

maykacastellano@gmail.com

Melina Meimaridis Universidade Federal Fluminense, Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Niterói – RJ.

melmaridis@hotmail.com


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