Nova tabela de composição de alimentos inclui vegetais e frutos regionais brasileiros

Na versão 7.1 da tabela é possível encontrar preparos com iguarias regionais como a gueroba, o açaí, a mangaba e o jatobá

A nova tabela, além de poder ser consultada por qualquer pessoa, serve de parâmetro para orientar políticas públicas alimentares do governo – Foto: Imagem extraída do site: http://www.tbca.net.br/

Mangaba, jatobá, açaí, ora-pro-nóbis, gueroba, quiabo, coquinho-azedo são algumas das iguarias brasileiras que podem ser encontradas, in natura ou em preparações, na nova versão da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA, versão 7.1), que acabou de ser atualizada. A professora Elizabete Wenzel de Menezes, do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, instituições nas quais foram feitas as pesquisas que deram origem à tabela, diz que a atualização permite que se tenha um perfil mais fidedigno do consumo alimentar, uma vez que a tabela é constituída de alimentos nacionais consumidos pela população brasileira e serve de parâmetro para orientar políticas públicas alimentares do governo. A nova versão da TBCA está mais interativa e com interface amigável, podendo ser consultada pelo site e no aplicativo de celular.

Professora Elizabete Wenzel de Menezes, do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP

A professora ressalta outro aspecto que diferencia a TBCA das tabelas convencionais. O rigor científico com o qual o conteúdo foi produzido, seguindo as diretrizes preconizadas pela International Network of Food Data Systems (INFOODS)/ Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO).

“As informações das bases de dados foram obtidas tanto através da análise direta de alimentos em laboratórios no Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da FCF, quanto por compilação de dados analíticos de alimentos brasileiros provenientes de publicações, dissertações, teses, dados internos de outros laboratórios, laudos analíticos disponibilizados por indústrias de alimentos e outras tabelas”, diz Elizabete ao Jornal da USP.

+ Mais

Cresce o consumo de alimentos não saudáveis entre os menos escolarizados

Obesidade infantil é três vezes maior que desnutrição no Brasil

A primeira versão da TBCA surgiu em 1989, quando pesquisadores da USP, coordenados pelo professor Franco Maria Lajolo, da FCF, entenderam a necessidade de montar uma equipe para realizar estudos para melhorar a qualidade dos dados de composição química dos alimentos, uma vez que os estudos, cada vez mais, mostravam a associação da composição dos alimentos à promoção da saúde e diminuição do risco de doenças. De lá para cá, periodicamente, a tabela é atualizada, incorporando-se a ela novos dados. A nova versão 7.1, por exemplo, contém o registro de 5.200 itens, com mais de 3 mil preparações, com a identificação da quantidade de sal e açúcar adicionada em cada preparação. Além do valor energético, composição centesimal perfil lipídico, vitaminas e minerais.

Falta feijão no prato do brasileiro

 

Foto: Imagem extraída do site: http://www.tbca.net.br/

Segundo a pesquisadora, já faz décadas que o brasileiro vem reduzindo o consumo de feijão em suas refeições diárias, o que foi observado pelas últimas Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF) e de Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil (POF, 2020), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O feijão é o alimento que mais contribui com a ingestão de fibra alimentar e uma boa fonte de proteína vegetal”, diz. Na TBCA, em 100 gramas (g) do feijão-carioca, cozido e temperado há 4,68 g de proteína e 6,84 g de fibra alimentar, o que corresponde a 6,2 % das necessidades diárias para proteína e 27,4 % para fibra, considerando uma ingestão de 2.000 quilocalorias/dia (kcal/dia).

Desde 2013, pesquisadores da FoRC, coordenados por Eliana Bistriche Giuntini e Kristy Soraya Coelho, ampliaram na TBCA o número de alimentos e preparações mais consumidos pela população com base nas pesquisas da POF. Por outro lado, o IBGE passou a utilizar a base de dados da TBCA para cálculo do consumo alimentar dos brasileiros porque ela é mais confiável e adequada à realidade brasileira. As pesquisas POF servem para a avaliação da ingestão de nutrientes, planejamento de campanhas de políticas públicas e de educação alimentar e nutricional para a população, além de facilitar a elaboração de cardápios e planos alimentares pelos profissionais de nutrição, explica Elizabete.

Aplicativo de Celular

O aplicativo TBCApp foi disponibilizado para ser baixado para smartphones, nos sistemas Android e IOS. O usuário terá acesso a todos os alimentos: quantidade de proteínas, lipídios, carboidratos, fibras alimentares, energia, vitaminas A e C, cálcio, ferro e sódio.

Foto: Imagem extraída do site: http://www.tbca.net.br/

Tanto no site quanto no App, as informações da TBCA podem ser consultadas pelo nome do alimento, grupo e/ou tipo (in natura, processados prontos para consumo, ingredientes ou preparações). Há também a possibilidade de consulta por fonte do componente e avaliação energética de refeições.

O aplicativo e o site foram desenvolvidos de modo a facilitar a consulta da tabela pelas pessoas em seu dia a dia. No supermercado, por exemplo, se a opção for comprar produtos com alto valor proteico, a tabela vai listar os alimentos, com graduações que vão do maior para o menor (ou vice-versa, quando for o caso), diz Elizabete.

Mais informações: e-mail wenzelde@usp.br com Elizabete Wenzel de Menezes

.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.