Mobilidade fluvial em São Paulo é possível?

Projeto do Grupo Metrópole Fluvial estuda a possibilidade do transporte fluvial urbano tanto de passageiros quanto de cargas públicas e, de acordo com especialistas, ainda pode ajudar na limpeza dos rios

Um projeto estruturado pelo Grupo Metrópole Fluvial, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, traz uma proposta que prevê conexão e aproveitamento das hidrovias que circundam a Grande São Paulo. O Jornal da USP no Ar de hoje (16) conversa com o professor Alexandre Delijaicov, do Departamento de Projetos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP sobre o assunto. 

O professor compartilha que o projeto surgiu após a FAU ser convidada em 2010, pelo Departamento Hidroviário da Secretaria de Logística e Transporte do Governo do Estado de São Paulo, para participar dos pré-estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental do Hidroanel Metropolitano de São Paulo. Concluído em março de 2011, o projeto discutiu o aproveitamento múltiplo das águas da bacia hidrográfica do Alto Tietê, onde está localizada a região metropolitana de São Paulo, com a implementação de hidrovias urbanas formadas pelos canais do Rio Tietê, Pinheiros e Tamanduateí e reservatórios da cidade de São Paulo. 

Para a recuperação ambiental desses referenciais, o professor compartilha que foi estudada a viabilidade do transporte fluvial urbano de passageiros e, principalmente, do transporte fluvial urbano de cargas públicas, os resíduos sólidos de modo geral. Além de viabilizar transporte de passageiros e de cargas, a construção do hidroanel pode ajudar também na limpeza dos rios, como explica Delijaicov: “Uma das maneiras para fazer a limpeza desses rios, além do saneamento básico, coletor tronco, estações de tratamento e esgoto, é a navegação fluvial. São embarcações limpa-canal, limpa o fundo do canal, limpa as laterais, limpa a água superficial, e o contexto geral do hidroanel é esse”.

Com relação ao transporte de passageiros, o professor compartilha que pode ser útil principalmente para as populações que vivem no extremo sul do município de São Paulo e também para os cidadãos que têm o hábito de utilizar a Linha Esmeralda da CPTM: “Só o canal do Pinheiros, da Cidade Universitária, tem 10,5 km e o canal superior do Pinheiros tem 20 km, por onde corre a linha Esmeralda da CPTM, ou seja, para o transporte de passageiros, a alternativa na hora do rush para cada um desses canais funciona como linhas do Metrô, então o passageiro que não consegue entrar no trem na hora do rush e não quer fazer viagem negativa, pode ter uma alternativa em um barco de passageiros para percorrer esses 20 km”. Já com relação às represas, o transporte teria como foco principalmente o fortalecimento do cinturão hortifrutigranjeiro, que contaria também com a introdução de políticas públicas de agricultura urbana na região sul de São Paulo. 

Saiba mais ouvindo a entrevista completa no player acima.


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