Mobilidade fluvial em São Paulo é possível?

Projeto do Grupo Metrópole Fluvial estuda a possibilidade do transporte fluvial urbano tanto de passageiros quanto de cargas públicas e, de acordo com especialistas, ainda pode ajudar na limpeza dos rios

 16/10/2020 - Publicado há 2 anos

Um projeto estruturado pelo Grupo Metrópole Fluvial, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, traz uma proposta que prevê conexão e aproveitamento das hidrovias que circundam a Grande São Paulo. O Jornal da USP no Ar de hoje (16) conversa com o professor Alexandre Delijaicov, do Departamento de Projetos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP sobre o assunto. 

O professor compartilha que o projeto surgiu após a FAU ser convidada em 2010, pelo Departamento Hidroviário da Secretaria de Logística e Transporte do Governo do Estado de São Paulo, para participar dos pré-estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental do Hidroanel Metropolitano de São Paulo. Concluído em março de 2011, o projeto discutiu o aproveitamento múltiplo das águas da bacia hidrográfica do Alto Tietê, onde está localizada a região metropolitana de São Paulo, com a implementação de hidrovias urbanas formadas pelos canais do Rio Tietê, Pinheiros e Tamanduateí e reservatórios da cidade de São Paulo. 

Para a recuperação ambiental desses referenciais, o professor compartilha que foi estudada a viabilidade do transporte fluvial urbano de passageiros e, principalmente, do transporte fluvial urbano de cargas públicas, os resíduos sólidos de modo geral. Além de viabilizar transporte de passageiros e de cargas, a construção do hidroanel pode ajudar também na limpeza dos rios, como explica Delijaicov: “Uma das maneiras para fazer a limpeza desses rios, além do saneamento básico, coletor tronco, estações de tratamento e esgoto, é a navegação fluvial. São embarcações limpa-canal, limpa o fundo do canal, limpa as laterais, limpa a água superficial, e o contexto geral do hidroanel é esse”.

Com relação ao transporte de passageiros, o professor compartilha que pode ser útil principalmente para as populações que vivem no extremo sul do município de São Paulo e também para os cidadãos que têm o hábito de utilizar a Linha Esmeralda da CPTM: “Só o canal do Pinheiros, da Cidade Universitária, tem 10,5 km e o canal superior do Pinheiros tem 20 km, por onde corre a linha Esmeralda da CPTM, ou seja, para o transporte de passageiros, a alternativa na hora do rush para cada um desses canais funciona como linhas do Metrô, então o passageiro que não consegue entrar no trem na hora do rush e não quer fazer viagem negativa, pode ter uma alternativa em um barco de passageiros para percorrer esses 20 km”. Já com relação às represas, o transporte teria como foco principalmente o fortalecimento do cinturão hortifrutigranjeiro, que contaria também com a introdução de políticas públicas de agricultura urbana na região sul de São Paulo. 

Saiba mais ouvindo a entrevista completa no player acima.


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