Fiocruz busca saber se vacina antituberculose pode atuar contra a covid-19

Etapa da pesquisa no Rio de Janeiro espera encontrar na BCG, utilizada para prevenir as formas graves de tuberculose na infância, a possibilidade de estimular o sistema imune a responder ao sars-cov-2

A Fiocruz inicia testes com a vacina BCG no Rio de Janeiro. A vacina é utilizada para prevenir as formas graves de tuberculose na infância e também é reconhecida por gerar uma resposta imunológica ampla contra outras infecções. A etapa da pesquisa no Rio de Janeiro abarca mil voluntários, especialmente profissionais da área da saúde. O Jornal da USP no Ar de hoje (18) conversa com a professora Ana Marli Sartori, do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina (FM) e coordenadora do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) da USP.

A professora compartilha que a BCG é uma vacina desenvolvida no início do século 20, aplicada no período neonatal, em geral no primeiro mês de vida da criança. Já nessa época, foi observada uma redução da mortalidade infantil nos Estados Unidos e na Europa que não era explicada só pela redução da tuberculose. Com o avanço da imunologia, foi possível conhecer o fenômeno de imunidade treinada. “Se refere à parte do sistema imune que entra em contato com os patógenos em primeiro lugar e é esse sistema que dá a resposta aos patógenos invasores.” A professora explica que, após uma primeira infecção, a imunidade treinada sofre uma reprogramação e passa a ter uma resposta mais rápida a uma infecção subsequente por um agente que pode ser relacionado a essa primeira infecção ou por um agente completamente diferente. 

Ana compartilha que o que está sendo estudado pela Fiocruz no Brasil e em vários outros países é se a BCG administrada recentemente poderia ter efeito ou não contra a covid-19. “Acho que a gente pode até ter o Brasil como um exemplo disso, nós somos o segundo país com maior número de mortes e nossa população é extensamente vacinada para BCG. Então, nós já sabemos que a BCG na infância não tem efeito sobre a covid-19 neste momento, mas não sabemos se a BCG administrada recentemente poderia ter efeito ou não.”

Sobre os protocolos de pesquisa, Ana avalia que não há contraindicação para quem já recebeu a BCG na infância, mas a pesquisa deve excluir quem já teve a covid-19, “porque essas pessoas já têm uma resposta imune que ainda não é completamente compreendida e, na verdade, não auxilia no entendimento dos efeitos da vacina BCG”. Além disso, a professora reforça que não há dados sobre os efeitos da BCG contra a covid-19. “O efeito precisa ser estudado, mas não seria em evitar a infecção, mas sim em estimular o sistema imune, que estaria mais apto a responder prontamente ao patógeno.” 


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