Experimentos clínicos sugerem ação antidepressiva do “ayahuasca”

Consumo do chá não é indicado como tratamento para a depressão, mas testes clínicos indicam boas perspectivas para desenvolvimento de fármacos com a substância

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Foto: Wikimedia Commons

Estudo coordenado pelo professor Jaime Hallak, do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, revela potencial antidepressivo do ayahuasca, chá preparado com folhas e cascas utilizada em rituais religiosos na Amazônia. Resultados foram publicados na edição de julho de 2018 da Psychological Medicine. Embora o consumo do chá esteja longe de ser indicado como tratamento para a depressão, os testes clínicos realizados com 29 pessoas no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, indicam melhora significativa do quadro depressivo entre os pacientes que tomaram dose única da substância. Os resultados foram observados logo após o experimento, mas melhoras mais importantes apareceram na avaliação do sétimo dia após o tratamento. O grupo de pacientes que tomou o chá apresentou redução de 50% dos sintomas de depressão contra apenas 27% no grupo placebo.

Os testes com ayahuasca integram estudos de uma rede de pesquisadores, coordenada pelo professor Hallak, que investiga o potencial terapêutico dos compostos psicodélicos. Comentando as pesquisas que essa rede realiza, Hallak lembra que “a psiquiatria necessita de novos medicamentos, porque muitos dos que existem hoje não apresentam boa eficácia contra certos casos de depressão”.

Ouça acima entrevista do farmacólogo Rafael Guimarães dos Santos, pesquisador do grupo do professor Hallak, na Rádio USP; e leia na íntegra matéria da revista Pesquisa Fapesp de janeiro de 2019.

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