Consórcio internacional mostra mudanças de comportamento durante pandemia

International Citizen Project Covid-19 é formado por 20 países, entre eles professores da Faculdade de Saúde Pública, com o objetivo de conhecer o impacto da covid-19 em diferentes países e as medidas tomadas

jorusp

A pandemia enfrentada atualmente fez com que vários institutos e universidades no mundo se unissem em busca de entender melhor o problema que afeta tantas áreas da vida e a crise sanitária instalada ao redor do mundo. O International Citizen Project Covid-19 (ICPCovid) é um desses grupos, com um consórcio internacional formado por 20 países, que avaliam se as medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas autoridades locais estão sendo seguidas pela população e seu comportamento durante o período de distanciamento social. No Brasil, existe um braço deste consórcio, que já chega em sua quinta fase de pesquisa e com a participação de professores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

“A ideia é que a gente consiga, com o passar do tempo e com a evolução da covid-19, conhecer como foi o impacto da doença em diferentes países e como cada país conseguiu remediar a situação de crise de saúde publica, já que cada país tem um perfil diferente, questões culturais, econômicas e políticas que influenciam na condução da covid-19”, comenta a professora Edlaine Faria de Moura Villela, doutora em Epidemiologia e mestre em Saúde Pública pela FSP , além de ser coordenadora do ICPCovid no Brasil.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Edlaine comenta que, no Brasil, a pesquisa já conseguiu reunir mais de 35 mil questionários nas quatro fases anteriores, sendo possível traçar melhor como que tem sido a evolução da pandemia. O questionário é dividido em seis partes: dados sociodemográficos, dados sobre o cotidiano das pessoas, dados sobre o impacto profissional, medidas preventivas individuais e comunitárias adotadas pela população, compondo a quarta e quinta parte, e para finalizar, a saúde pessoal.

A professora explica que, até o momento, a pesquisa mostrou que as pessoas estão conseguindo se adaptar à higienização constante das mãos, além de conseguirem respeitar a questão do distanciamento social quando saem às ruas. O que foi surpreendente, de acordo com ela, foi a resposta envolvendo o uso de máscaras: no início do mês de abril, apenas 45% das pessoas participantes da pesquisa utilizavam máscaras faciais para sair de casa. Esse número melhorou de acordo como a pandemia foi se agravando no País, subiu de 45% para 90% de uso, resultado observado durante o andamento da pesquisa.

Com relação às decisões e adoções de medidas diferentes entre os governos federal, estadual e municipal, Edlaine cita: “Nós percebemos que esta indecisão quanto à adoção de medidas constantes de prevenção tem gerado uma certa confusão na população. As pessoas muitas vezes não sabem o que fazer, não sabem quais medidas devem ser adotadas, por conta de cada região adotar determinadas medidas ou recomendações“.

Em um momento de maior flexibilização no Brasil, a pesquisa se encontra em sua quinta fase e está aberta até o dia 26 de julho, com a possibilidade de estender esse prazo, pois algumas cidades estão adotando medidas de flexibilização apenas agora e o objetivo dessa fase é justamente observar como tem sido o impacto nas cidades. Para acessar o questionário da quinta fase, clique aqui.

Ouça a entrevista completa no player acima.


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