Redes sociais podem facilitar aprendizado da linguagem acadêmica

Segundo pesquisa, mediação tecnológica de redes sociais podem favorecer o letramento digital e também acadêmico dos alunos

Por - Editorias: Ciências Humanas
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Por meio da escrita na rede social, o letramento acadêmico pode se desenvolver, tanto pelo objetivo, pela reflexão, quanto pelas posturas subjetivas dos alunos expressas pela inserção de citações no texto e pela presença da argumentação, traços típicos da prática e da escrita acadêmicas – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Hoje a tecnologia se insere também nos segmentos sociais, pois a cultura digital é uma realidade incontestável, que abarca também a língua e a linguagem. Essa nova sociedade lança novos desafios para os alunos de língua portuguesa, que se deparam, no cotidiano, com várias formas e possibilidades de expressão da escrita digital, como na rede social Facebook. Eunice Braga Pereira apresenta a relação de alunos de graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA) com a escrita acadêmica e a escrita digital, em artigo publicado na revista Linha D’Água. Seu ponto de interesse é o uso do Facebook como plataforma complementar e eficiente de ensino. Desta forma, o trabalho apresenta “uma discussão sobre atividades realizadas em uma rede social quando ressignificada como plataforma de ensino”.

A autora explica que os múltiplos usos da cultura digital podem interferir positivamente na formação dos professores de língua portuguesa, já que as práticas de linguagem são bastante influenciadas por esses usos. No intuito de reunir atividades interativas que estimulem a aprendizagem de práticas acadêmicas e aquelas inerentes ao mundo digital, ela utilizou o blended learning, metodologia que mistura o ensino presencial ao online, um processo de “interação entre o letramento acadêmico e o letramento digital”.

“Novos dispositivos eletrônicos, de modo particular os que são conectados à internet, têm ampliado as possibilidades de interação não somente por meio da escrita, mas também por meio de imagem, som, movimento”, afirma a autora. Ela observa que a sociedade atual precisa estar aberta a novas práticas de linguagem que passam a ser exigidas pela inserção intensa das redes sociais.

Outro ponto destacado é o fato de a presença das redes sociais tornar-se uma alternativa para a necessidade de ampliação de tempo dedicado a discussões e debates que as aulas presenciais, muitas vezes, não disponibilizam. “O trabalho em um espaço alternativo, como uma rede social, tornou-se uma possibilidade viável de se promover o letramento acadêmico dos alunos”, explica Eunice Braga.

Práticas de linguagem são bastante influenciadas pela cultura digital – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O projeto de pesquisa inclui, além das aulas presenciais, a exposição das tarefas solicitadas e a divulgação das mesmas, comentários e debates via Facebook, além de um pequeno ensaio acadêmico sobre um tema da disciplina “Compreensão e produção escrita em português”. A professora utiliza a formação de grupos no Facebook para desenvolver um fórum didático em que os alunos compartilham informações, conhecimento e opiniões, por meio de discussão de temas pertinentes à proposta de estudo. “Os grupos do Facebook têm grande potencial para que se desenvolvam tarefas com finalidades didáticas”, afirma.

Assim, a autora mostra que é possível, por meio da escrita na rede social, que o letramento acadêmico se desenvolva, tanto pelo objetivo, pela reflexão, quanto pelas posturas subjetivas dos alunos expressas pela inserção de citações no texto e pela presença da argumentação, traços típicos da prática e da escrita acadêmicas. “A mediação tecnológica de uma rede social favoreceu não somente o letramento digital, mas também o acadêmico desses alunos”, conclui a autora.

Eunice Braga Pereira é professora da Universidade Federal do Pará

PEREIRA, Eunice Braga. Do letramento digital ao acadêmico: dinâmica interacional e práticas de escrita no Facebook. Revista Linha D’Água, São Paulo, v. 28, n. 1, p. 67-86, jun. 2015. ISSN: 2236-4242. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/96988>. Acesso em: 19/09/2017.

Margareth Artur / Portal de Revistas da USP

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