Pesquisador reedita todos os poemas de Alvarenga Peixoto

Trabalho traz 40 poemas do inconfidente (seis deles inéditos), transcrições conservadoras e modernizadas e mais de 600 notas de rodapé

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O pesquisador Caio de Souza reeditou os poemas de Alvarenga Peixoto adicionando mais de 600 notas de rodapé ao trabalho – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Quando se pensa em poesia do século
18, os primeiros nomes que vêm à mente são aqueles ensinados na escola, como Tomás Antônio Gonzaga e Basílio da Gama, mas eles não foram os únicos poetas setecentistas no Brasil. O pesquisador da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Caio Cesar Esteves de Souza, decidiu dedicar sua dissertação de mestrado a um desses poetas menos conhecidos: o inconfidente poeta árcade Inácio José de Alvarenga Peixoto, que tem em seu currículo uma educação jesuíta no Brasil e bacharelado em Direito na Universidade de Coimbra (UC), em Portugal.

Caio de Souza investigou diversos manuscritos, em bibliotecas brasileiras e portuguesas, à procura de poemas de Alvarenga. Um dos resultados de seu trabalho foi a reedição de todos os poemas atribuídos ao autor, com o acréscimo de mais de 600 notas de rodapé que analisam e explicam, para o leitor, aspectos relevantes dos 40 poemas editados dos quais, seis são inéditos. A pesquisa teve orientação do professor João Adolfo Hansen e contou com bolsas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

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Imagem do autor e poema

Souza conta que visitou 11 bibliotecas e um museu, entre Brasil e Portugal, em busca de manuscritos do poeta para entender como se dava a circulação desses poemas. “Eu fui atrás desses manuscritos porque a ideia era entender como isso circulava. Se nunca houve, de fato, uma publicação das obras poéticas de Alvarenga Peixoto em vida, como esses poemas foram reunidos depois? Porque quem reúne os poemas sempre tem uma interpretação desses textos que fundamenta sua edição.”

As edições tradicionais dessa poesia, segundo Caio de Souza, apresentam “os poemas – que  muitas vezes são apócrifos, ou seja, não foram assinados pelo poeta a quem são atribuídos – e os utilizam na construção de uma imagem do poeta; essa imagem criada é, então, utilizada para justificar os poemas; isso cria um ciclo vicioso que gira em falso”.

Diante dessa conjuntura, ele se propôs a pensar não a mão que escreve, mas a mão que é escrita, ou seja, fazer o caminho inverso e pensar como os poemas produzem um conceito de Alvarenga Peixoto que é ressignificado pela crítica.        

Seguindo esse pensamento, Souza tratou cada testemunho, ou seja, cada versão de um poema, como material historicamente relevante. Nesse processo, foi necessário reeditar os poemas ー reagrupar os poemas em uma nova edição que traz observações não apontadas anteriormente ー, com o objetivo de apresentar ao leitor todos os manuscritos e impressos em que essa poesia circulou e dar-lhe a oportunidade de tirar suas próprias conclusões, sem a necessidade de realizar uma colagem desses testemunhos para chegar a um “texto genuíno, que nunca foi lido por ninguém e nada mais é que o fruto da imaginação de um editor anacrônico”.

Caio de Souza encontrou manuscritos na Biblioteca Brasiliana, na USP, que continham poemas originais de Alvarenga Peixoto – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Edição crítica

O resultado de todo esse trabalho foi uma reedição dos 40 poemas atribuídos a Alvarenga Peixoto – seis deles inéditos, descobertos por Caio de Souza na Biblioteca Brasiliana da USP –, que se apresentam em mais de 70 testemunhos, com algumas variantes. Essa reedição conta com transcrições conservadoras e modernizadas de cada testemunho, para que o leitor especializado possa se atentar a aspectos linguísticos dos textos e o leitor não especializado não tenha a ortografia da época como um obstáculo. O trabalho conta, ainda, com mais de 600 notas de rodapé, que fazem observações e ajudam na interpretação dos poemas. Trata-se da edição mais completa já realizada da poesia do poeta luso-brasileiro Alvarenga Peixoto, que viveu no século 18. O trabalho aguarda, agora, publicação em formato de livro para um público mais amplo.

Mais informações: e-mail caio.esteves.souza@usp.br, com Caio César Esteves de Souza

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