Osman Lins: biblioteca de escritor é parte do processo de criação

Artigo na revista do IEB explora como o acervo do escritor pernambucano influenciou na produção de sua obra

Por - Editorias: Ciências Humanas
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Fotomontagem com cartaz da peça e Veraneio do filme Lisbela e o prisioneiro

O filme Lisbela e o prisioneiro foi um grande sucesso de público, mas pouca gente sabe que o filme é uma adaptação da peça teatral de mesmo nome, cujo autor é Osman Lins, também autor de  O fiel e a pedra, Nove novena, Avalovara, considerada sua obra-prima pela crítica em virtude da primorosa arquitetura narrativa, e Rainha dos cárceres da Grécia, sua última obra, para citar algumas. A Revista do Instituto de Estudos Brasileiros publicou em sua última edição artigo que apresenta “a biblioteca do autor como parte do processo criador do escritor pernambucano, visualizando que as anotações, grifos ou apontamentos de leitura se convertem em manuscrito, reforçando a importância da abordagem dos documentos do processo e a presença de um diálogo intertextual“.

Imagens da divindade Avalokiteçvara presentes no livro Mythologie générale – Fotos: Reprodução

O Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP conta com um acervo de documentos que atestam o processo de composição, organização e tradução da obra de Osman Lins, com registros permeados de anotações e material que fazem parte de suas criações e que compõem a biblioteca do autor, esta que se  encontra locada tanto em São Paulo, no IEB, contando com 180 documentos, quanto no Arquivo-Museu de Literatura Brasileira (AMLB) da Fundação Casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro, contando com 102 textos.

O artigo é parte da tese Da leitura à escritura – a biblioteca de Osman Lins como parte do processo de criação de Avalovara, de Eder Rodrigues Pereira – sob orientação da professora Sandra Margarida Nitrini e coorientação da professora Telê Ancona Lopez -, e discute a problemática de lidar com esse espólio, já que o maior desafio é contemplar o todo da obra e realizar uma análise comparativa dos documentos, já que o material está dividido entre duas cidades. Para Pereira, “Uma solução seria a digitalização do acervo, porém, no contato com os arquivos, nota-se que muitos documentos estão fora desses espaços de preservação, e mesmo, perdidos“.

Indicação da página 332 de Mythologie générale como fonte da imagem da divindade Avalokiteçvara (esq.) e folha de rosto do livro Mythologie générale (direção de Félix Guirand), com dedicatória de Lygia Fagundes Telles – Fotos: Reprodução

O acervo da biblioteca de escritor é um espelho, muitas vezes, da própria criação de sua biblioteca, ressaltando-se, nas obras da coleção, a preocupação em explorar as relações entre palavra, imagem e estética, pois Lins também foi professor de Literatura Brasileira e ministrou um curso sobre História da Arte. Nesse contexto, Pereira põe em discussão várias questões sobre a forma como essas obras foram reunidas, a saber, por temas: “Será que realmente a biblioteca preservada no arquivo tem conexões com a literatura do autor? Ademais, diante de tantos livros perdidos, como afirmar que essas leituras têm relação com seu processo criador?

Detalhe da capa de Avalovara“(1973) – Reprodução

Essas leituras são referências para a compreensão de obras como Avalovara, mostrando que “no resgate das leituras realizadas por Osman Lins existe um jogo entre a ‘biblioteca preservada’ – obras presentes no arquivo – e a ‘biblioteca declarada’, que só seria recomposta se consideradas as diversas declarações do escritor“. Visto isso, pode-se afirmar que a prática de leitura de Osman Lins tem vida própria, o que possibilita observar  sua “biblioteca declarada” “como um verdadeiro labirinto desenhado pela rede de citações de obras e autores no texto do romancista“. A visita à biblioteca do autor nos aponta o caminho de inovação sempre presente em sua obra, tanto pela incansável busca por novas experiências temáticas quanto pelas incursões em novas estruturas formais e estéticas, o que o torna um mestre reconhecido mundialmente.

Eder Rodrigues Pereira é doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, cursa pós-doutorado no IEB, com supervisão da professora Telê Ancona Lopez, sobre o romance Noite profunda – Os espelhos, obra inédita de Osman Lins.

PEREIRA, Eder Rodrigues. A biblioteca de Osman Lins no IEB/USP e na Fundação Casa de Rui Barbosa. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n. 66, p. 86-107, abr. 2017. ISSN: 2316-901X. Disponível em: <http://revistas.usp.br/rieb/article/view/133108/129175>. Acesso em: 29 maio 2017.

Margareth Artur / Portal de Revistas da USP

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