Grupo estudará relações entre saúde e contexto geográfico das cidades

O poder dos mapas será usado para identificar e evidenciar iniquidades em saúde associadas, principalmente, às condições socioeconômicas e à morfologia urbana

Por - Editorias: Ciências Humanas
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Incêndio na favela da Rocinha, zona sul de São Paulo - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Favela da Rocinha, zona sul de São Paulo – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Um novo grupo de estudos do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP irá estudar as desigualdades em saúde e sua relação com o contexto geográfico das cidades. O grupo Espaço Urbano e Saúde será coordenado pela geógrafa Ligia Vizeu Barrozo, professora do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A previsão é que as atividades durem quatro anos, a contar a partir de agosto de 2016. Além da geografia, o grupo transdisciplinar tem integrantes de áreas como urbanismo, cartografia, epidemiologia, atividade física e saúde. Leia o projeto na íntegra.

De acordo com o projeto de pesquisa, o poder dos mapas será usado para identificar e evidenciar iniquidades em saúde associadas, principalmente, às condições socioeconômicas e à morfologia urbana. O objetivo é ter evidências que embasem recomendações de políticas públicas para reduzir injustiças na área da saúde.

O grupo pretende usar indicadores como expectativa de vida ao nascer e Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP), avaliando como cada um deles aparece em determinadas regiões das cidades. O primeiro indicador “reflete o efeito cumulativo do impacto dos fatores de risco, a ocorrência e severidade de doenças e a eficiência das intervenções e tratamento” e permite identificar quando a desigualdade passa a ser iniquidade. Já o APVP mede a mortalidade prematura (atualmente, a idade referência é 70 anos), focando nas consequências sociais e econômicas da mortalidade. Observar as variações geográficas dos resultados desse indicador pode ajudar no planejamento da saúde local, indica o projeto de pesquisa.

“Os mapas potencializam a investigação da influência do contexto geográfico e de seus determinantes sociais de saúde, principalmente por permitirem a visualização das relações espaciais, a identificação de áreas iníquas e a elaboração de hipóteses”, justificam os pesquisadores.

Representação da simétrica do risco relativo de mortalidade infantil entre 2006 e 2009 na cidade de São Paulo é um exemplo de como os mapas podem ajudar a evidenciar a desigualdade - Mapa: Ligia V. Barrozo/Journal of Maps
Representação da simétrica do risco relativo de mortalidade infantil entre 2006 e 2009 na cidade de São Paulo é um exemplo de como os mapas podem ajudar a evidenciar a desigualdade – Mapa: Ligia V. Barrozo/Journal of Maps

Um exemplo dos estudos que serão feitos está na avaliação da morfologia urbana, que pode promover ou dificultar a prática cotidiana de deslocamento, favorecendo ou não a inatividade física em determinado local. Para isso, os pesquisadores levam em conta aspectos como: topografia, comprimento dos quarteirões, densidade populacional, dispersão urbana, densidade de conexões entre as ruas, iluminação pública e calçamento. De acordo com o projeto, há estudos que levantam a hipótese de que pessoas que vivem em áreas mais densas, com ruas bem conectadas e uso do solo mais diversificado tendem a ser mais ativas fisicamente.

“A população fica exposta de forma desigual à infraestrutura urbana em termos de sua morfologia no que diz respeito ao padrão das ruas, à cobertura de calçadas, presença de ciclovias, disponibilidade e acessibilidade ao transporte público e à estética e segurança, já que locais mais agradáveis e seguros são mais utilizados e favorecem a prática de atividade física”, avaliam.

Fernanda Rezende/Assessoria de Comunicação do IEA

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