Futebol ajuda a promover inclusão de refugiados no Brasil

Pesquisa da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da USP mostra impacto social do esporte na vida dos refugiados 

No “país do futebol”, o esporte passou a ser usado para promover a integração dos refugiados na sociedade. O assunto virou até tema de pesquisa na Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP. Murilo Fabri, ex-jogador de futebol, não esqueceu o drama dos refugiados, que acompanhou de perto quando morou na Europa e fez dele seu objeto de pesquisa acadêmica.

Fabri lembra que o dilema dos refugiados marcou sua vida de atleta e, anos depois, estimulou seus estudos em busca de soluções. Já no Brasil, como pesquisador, encontrou na ONG África do Coração as condições para desenvolver sua pesquisa. É que a ONG, juntamente com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), promove desde 2014 a Copa dos Refugiados no Brasil.  

O principal objetivo da copa é promover a inclusão e criar um espaço para a livre expressão dos refugiados. Esses imigrantes, marcados pelo futebol, foram voluntários da pesquisa de Fabri, que concluiu: “O impacto social que o futebol provoca na vida dos refugiados foi o principal achado da pesquisa”. 

Fabri relata a passagem que marcou a sua vida e que foi o estímulo para a pesquisa: “Durante o período em que fiquei na Bulgária fiz amizade com um menino de 13 anos que perdeu a família na guerra da Síria. Ele estava morando com o tio e tinha uma semana muito triste e maçante, com dificuldade principalmente no idioma, que é bem diferente; mas ao assistir os jogos do meu time, aos domingos, ele melhorava”. 

Ainda segundo Fabri, esse menino dizia que o domingo era, para ele, o melhor dia da semana por estar assistindo a um jogo de futebol e, também, poder jogar com o time” comenta o pesquisador.

Solicitações de refúgio batem recorde em 2018 

Dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) – comissão interministerial sob o âmbito do Ministério da Justiça – mostram que o Brasil tem mais de 11,2 mil pessoas reconhecidas como refugiadas. Os sírios saem na frente, com 36%, mas as crises na Venezuela e na Bolívia podem mudar esse panorama.

Os refugiados são considerados migrantes internacionais forçados; cruzam as fronteiras de seus países em busca de proteção. Eles fogem de situações de violência, conflitos internos – internacionais ou regionais – e perseguições em decorrência de regimes políticos repressivos, entre outras violações de direitos humanos. 

Em 2018, as solicitações de refúgio bateram o recorde no País. Segundo o  Conare, foram mais de 80 mil pedidos, 61,68 mil só de venezuelanos. E como nosso país está lidando com a situação? Ensinar português aos refugiados e inserir toda essa população na sociedade, no mercado de trabalho e nas escolas não é tarefa fácil. É aí que entra o futebol! 

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.

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