Estudo mostra equívocos em políticas públicas de financiamento do governo

Programa de Sustentação do Investimento vendia jatinhos com taxas de juros abaixo do mercado. As compras representavam apenas ⅓ da taxa Selic

Certamente você já ouviu falar de empresários, políticos e personalidades que compraram aeronaves executivas, os populares jatinhos, com ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. O caso mais famoso é o do apresentador de televisão Luciano Huck. De 2009 a 2014, uma das linhas de financiamento criadas pelo BNDES, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), liberou R$ 1,9 bilhão para a compra de 134 jatinhos. As aeronaves foram financiadas com taxas de juros entre 2,5% e 3,5% ao ano.

Nesse mesmo período, a taxa Selic variou entre 7,25% e 10% e a inflação projetada era de 4,5%. As taxas de juros contratadas para a compra dos jatinhos representaram apenas 1/3 da taxa Selic. É o que revela estudo com participação do professor Amaury Rezende, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP. De acordo com o estudo, os maiores bancos brasileiros, Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, financiaram 70% das aeronaves e 72% dos valores.

O PSI beneficiou quem adquiriu os jatinhos com juros abaixo do mercado e os bancos que intermediaram os negócios, porque receberam do governo a diferença dos valores entre as taxas de juros. O professor Rezende tem se dedicado nos últimos anos a estudar as políticas de benefícios fiscais adotadas pelos governos municipal, estadual e federal. O professor comenta que o programa beneficia diversos segmentos da economia, e esse único segmento foi que gerou a curiosidade dos pesquisadores de realizarem o estudo, porque tiveram os dados disponibilizados pelo BNDES.

Um dos objetivos do estudo é mostrar equívocos em políticas públicas de financiamento adotadas pelo governo, principalmente numa sociedade desigual. Os dados foram obtidos nas informações disponíveis no site do BNDES. Também participaram do estudo Erivelto Rezende, da Fundace, fundação ligada à FEA-RP, e o professor José Marcos da Silva, da Universidade Federal de Uberlândia.

Ouça no player acima a entrevista na íntegra. 

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