Estudo mapeia desigualdade na mobilidade em São Paulo

Segundo Tainá Bittencourt, essa desigualdade se revela na comparação do uso do transporte por moradores do centro e da periferia: no primeiro, há escolha do transporte público, enquanto na segunda há uma relação de dependência do mesmo

 17/11/2020 - Publicado há 1 ano

O Jornal da USP no Ar de hoje (17) recebeu Tainá Bittencourt, pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da USP, para tratar sobre pesquisa que mapeia a desigualdade na mobilidade na cidade de São Paulo, projeto que consta do Mapa da Desigualdade 2020, realizado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Programa Cidades Sustentáveis. 

Alguns indicadores da pesquisa revelam dados preocupantes: apenas 18% da população paulistana reside em um raio de até 1 km de estações de transporte de alta capacidade (trens, Metrô, monotrilhos), apesar de o transporte público ser usado por 56,5% das pessoas nos deslocamentos motorizados. Já a média de tempo gasto no transporte público é de 56 minutos. 

Tainá reforça que esses dados revelam a média e que existe uma desigualdade no sistema de deslocamentos, principalmente quanto ao acesso a transporte público de alta capacidade, o que, segundo ela, está relacionado a diferentes variáveis. Ela exemplifica comparando o uso do transporte por pessoas moradoras do centro e da periferia. “No centro, vemos uma relação mais clara de escolha do transporte público, em razão da infraestrutura do transporte público. Nas periferias, vemos uma relação de dependência do transporte público: não há como se deslocarem de outro modo”, completa. 

Além da estrutura irregular, a pesquisadora ressalta a importância de mais conexões e integrações de transportes e modos, a fim de garantir estrutura e rede de modo mais seguro. “Mas, para isso funcionar, é preciso de coordenação operacional e financeira dos sistemas: precisa-se de mais frequência das linhas, mas não fazendo com que os trabalhadores paguem muito mais, que é o que vemos aqui hoje”, explica. 

Ouça a íntegra da entrevista no player. 


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