Plataforma busca otimizar o ensino de língua portuguesa e matemática

Para Marcelo Aglio, o domínio do idioma e suas manifestações na língua escrita e falada é instrumento para a emancipação social

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma dissertação do Programa de Mestrado Profissional em Letras (Profletras) da USP teve como objetivo o estudo e pesquisa das Tecnologias Digitais da Comunicação (TDICs) em relação à aprendizagem de língua portuguesa no ensino fundamental da rede pública. No trabalho, foi analisada a turma do sexto ano da Escola Estadual Professora Priscila de Fátima Pinto, de Itu-SP, na qual o mestrando, Marcelo Aglio, dá aulas há 11 anos. O professor-pesquisador observou as estratégias para o ensino da língua portuguesa e seus gêneros textuais com a ferramenta Aventuras Currículo +, um lançamento da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo disponibilizada para toda rede escolar em 2016.  

Aventuras Currículo + é um jogo de RPG (jogo de interpretação de papéis) utilizado para recuperação de conteúdo em língua portuguesa e matemática. Ele coloca o aluno como agente secreto especial que deve cumprir missões para salvar a Terra. Cada missão trabalha com um gênero textual, como o jornalístico e as histórias em quadrinhos. No final de cada missão, deve ser produzido um texto dentro do gênero, tudo atrelado à narrativa do jogo”, explica Marcelo Aglio, mestrando do Profletras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em entrevista ao Jornal da USP no Ar.

Aglio ressalta que a educação e o ensino tradicional não afetam o aluno do século 21, com necessidade de incentivos, como o jogo Aventuras Currículo +, para que o jovem possa dominar o conteúdo apresentado aliado à gamificação proposta. “Acredito que a língua é um instrumento de emancipação social”, destaca. “ A pessoa que domina o idioma dela e suas diferentes manifestações, na língua escrita e falada, com certeza vai ter um apreço social maior, não só em questão de emprego e formação acadêmica. Infelizmente, estamos em uma realidade no nosso País em que muitas pessoas não têm domínio da língua, tornando mais fácil que essas pessoas sejam dominadas por quem está no poder.”

Uma das observações do estudo é que os alunos costumam chegar ao sexto ano com algumas dificuldades de interpretação, principalmente pela falta de hábito em determinados gêneros que estão em diversas plataformas, como o jornalístico. O jogo de RPG apresentou enorme êxito, pois trabalha com o que está presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), incorporada ao currículo paulista. E, segundo o professor, a palavra do momento é “multiletramentos”, que trabalha com a noção de que existem novos gêneros que circulam na sociedade com fácil acesso aos jovens, como os memes e podcasts.

“Notei na minha pesquisa um estreitamento afetivo que eu tive com meus alunos, fundamental na sala de aula. Ele se envolve mais com a aula e com o papel do professor, demonstrando mais gratidão e interesse com aquele momento que ele está vivendo na escola”, diz Aglio. Ele conta que não dá mais aula para essa turma, mas acompanha a evolução dos alunos e percebe a mudança que ocorreu antes e após a utilização dessa ferramenta: “Um sujeito que tomou para si a própria aprendizagem dele e começou a enxergar a escola de uma outra maneira”, orgulha-se.

Ouça a entrevista completa no player acima.


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