Dados sobre ônibus em SP permitirão análises críticas do serviço

Centro de Estudos da Metrópole produziu o arquivo a partir de dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação

Por - Editorias: Ciências Humanas
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Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Será possível avaliar as desigualdades de acesso aos serviços e a consistência empírica de argumentos usados como justificativas para projetos de racionalização das linhas de ônibus – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Vinculado à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) lançou um banco de dados de linhas de ônibus do município de São Paulo. Desdobramento da pesquisa que integra a linha de investigação Padrões de governança em política urbana, trata-se do primeiro conjunto de dados georreferenciado consolidado e de livre acesso público do universo das linhas de ônibus no município de São Paulo, e traça um retrato das linhas no mês de setembro de 2015.

Produzido a partir de dados obtidos por meio da lei de acesso à informação e do site da SPTrans, o banco é um importante recurso para pesquisadores dedicados aos estudos urbanos para a compreensão da dinâmica de produção dos serviços de ônibus, objeto ainda pouco pesquisado pelas ciências sociais brasileiras. Ao sistematizar as características da rede de linhas, propicia o alargamento das possibilidades de análise da mobilidade urbana, em geral voltada a questões de tempo de viagem, modalidades de transportes e uso viário.

Com base no Banco de Dados de Linhas de Ônibus CEM, é possível avaliar as desigualdades de acesso aos serviços de ônibus no território da cidade e a consistência empírica de argumentos agenciados por técnicos e burocracias como justificativas para projetos com a temática “racionalização das linhas de ônibus”, por meio da identificação do grau de sobreposição e extensão da rede. Por se tratar de uma base consolidada para um período histórico particular, este é um primeiro passo importante para a realização de futuras pesquisas que tenham como foco a compreensão da mudança da rede de linhas em diferentes administrações municipais.

O banco inclui dados como itinerário das linhas (ida e volta), carregamento de passageiros, empresas responsáveis, conjunto da frota e data de criação das linhas.

Como foi feito

Informação Geográfica - Mapa: Centro de Estudos da Metrópole (CEM)/
Informação geográfica de redes de linhas de ônibus – Mapa: Divulgação/Centro de Estudos da Metrópole (CEM)

A transformação desse banco de dados em um arquivo cartográfico digital georreferenciado foi possível com a utilização do Sistema de Informação Geográfico (SIG) do CEM. O processo de georreferenciamento envolveu o desenho dos trajetos das linhas de ônibus a partir dos traçados já existentes da SPTrans e sua compatibilização com a Base de Logradouros (ruas, avenidas, travessas, pontes e viadutos) atualizada do CEM. Buscou-se a mais precisa aderência dos traçados das linhas dos ônibus na Base de Logradouros do CEM, utilizando-se para isso do mesmo traço que havia sido usado em ambas as bases. Assim, ao desenhar linhas de ônibus a partir de segmentos de logradouros, torna-se possível associar nas pesquisas as informações relativas às linhas de ônibus às informações a respeito do logradouro, distrito, setores censitários e demais aspectos no banco de dados georreferenciados construído e disponibilizado pelo CEM em sua Base de Dados.

O arquivo georreferenciado referente às linhas de ônibus, por sua vez, foi construído pela junção de tabelas contendo informações sobre as empresas encarregadas de operar as linhas, incluindo as frotas de ônibus, quantidades de partidas e tipos de veículos (entre outras informações) e tabelas contendo informações sobre os passageiros transportados e formas de pagamento da tarifa, descontos ou gratuidades.

Ao todo, são 2.349 linhas de ônibus (a ida e a volta de uma linha são consideradas como duas linhas distintas) municipais com informações de horários de primeira e última partida, extensão da linha, área do sistema interligado de onde a linha parte (divisão regional da SPTrans), subsistema a que a linha pertence, classe diurna ou noturna e a quantidade de segmentos de logradouros que a compõe. Mais de 99% das linhas, 2.337, possuem também informações completas a respeito dos passageiros transportados em média por dia, as formas de pagamento da tarifa e gratuidades utilizadas e sobre a empresa responsável pela operação da linha. Há ainda informações a respeito da data de criação de 2.343 linhas, permitindo realizar análises a respeito da constituição histórica da atual malha que compõe o sistema de transporte público rodoviário.

Acesso ao banco de dados na área Banco de Dados do CEM. A consulta é livre mediante cadastro.

Mais informações: contato@centrodametropole.org.br

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