Projetos da USP sobre computação cognitiva recebem apoio da IBM

Projeto propõe a pesquisa e o desenvolvimento de algoritmos de aprendizado de máquina capazes de aprender continuamente

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Ilustração: IBM
Fapesp e IBM apoiarão projetos de pesquisa com foco em temas como novos modelos de aprendizado de máquina, robótica cognitiva, lógica probabilística e ontologia computacional – Ilustração: Divulgação/IBM

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Para muitos, a noção de um computador que aprende sozinho e aprimora sua tomada de decisões com o passar do tempo é um cenário comum apenas em roteiros de ficção científica. Entretanto, projetos e pesquisas na área da chamada computação cognitiva são não só reais, como também cada vez mais presentes.

Em parceria com a IBM, uma das mais tradicionais empresas de informática e tecnologia do mundo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou, no segundo semestre de 2016, uma chamada de propostas de projetos voltados para o campo da computação cognitiva.

O resultado foi divulgado em março e inclui, entre outros contemplados da USP, o projeto Advanced Machine Learning, que tem como responsável o professor André Carvalho, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos e pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI). O projeto propõe o desenvolvimento de algoritmos capazes de aprender continuamente.

Contemplados com o financiamento de até R$ 200 mil da Fapesp e da IBM, os projetos selecionados irão desenvolver pesquisas com foco em temas específicos da área, como novos modelos de aprendizado de máquina, robótica cognitiva, lógica probabilística e ontologia computacional.

A computação cognitiva, explica o professor Carvalho, “é um sistema de computação que combina duas áreas: inteligência artificial e processamento de sinais”. De acordo com o especialista, não existe uma única definição sobre o que ela significa, mas um de seus principais objetivos é simular como o cérebro humano funciona.
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“A computação cognitiva significa tudo o que é classificado como inteligência ou raciocínio que é feito por computação” – Arte sobre foto/Visual Hunt

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“Para a IBM, a computação cognitiva é a próxima geração da computação, em que pessoas e sistemas de computação trabalham juntos para melhorar a capacidade dos seres humanos para aprender, criar, pensar e tomar decisões”, esclarece ele.

Especificamente, o projeto do ICMC se enquadra na área de ciência de dados, com foco no aprendizado de máquina. A chamada ciência de dados investiga como extrair conhecimento a partir de um conjunto de dados, já o aprendizado de máquina investiga como aprender a extrair esse conhecimento de forma automática, sem intervenção humana.

“A computação cognitiva significa tudo o que é classificado como inteligência ou raciocínio que é feito por computação”, sumariza o professor. Ela é, por exemplo, um dos componentes da Inteligência Artificial, conta ele.

Tecnologia do futuro

O objetivo dos projetos escolhidos é justamente criar a tecnologia a ser usada no futuro em sistemas computacionais capazes de processar e integrar diferentes tipos de dados, envolvendo aprendizado de máquina em grande escala, capacidade de raciocínio e reconhecimento de padrões complexos.

“A ideia é usar várias técnicas avançadas de aprendizado de máquina, que possam aprender o tempo todo”, revela Carvalho, fato que já acontece em diversos campos científicos e tecnológicos. “Acontece no diagnóstico médico, por exemplo. A ferramenta olha os dados recebidos por máquinas, aprende a tomar decisões e depois as usa”, ilustra ele. No entanto, é comum que tais dados sejam sempre alimentados à máquina por alguém, sem que a máquina tenha capacidade e autonomia para aprender continuamente, tomando decisões cada vez melhores.

“Na vida real, os dados estão sempre chegando e a ideia é criar um programa que aprenda e que se autoajuste, que lide com mudanças de conceitos que possam ocorrer e que não precisem ser recalibrados por um especialista cada vez que ocorrerem mudanças”, revela.

Acordo de Cooperação prevê investimento de até US$ 500 mil para criação de conhecimento científico e tecnológico sobre a Terceira Era Computacional – Ilustração: Wikimedia Commons via Fapesp

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A partir de um comitê formado por representantes da Fapesp e da empresa, foram conduzidas a avaliação e seleção dos projetos apresentados. Foram aprovadas oito propostas, que receberão verba para aquisição de equipamentos, financiamento de bolsas de estudos e suporte para participação em eventos científicos. A duração dos projetos selecionados será de até dois anos.

Conforme o professor, embora a IBM seja famosa pela busca de parcerias para projetos similares, é a primeira vez que algo nessa escala é feito com a Fapesp. O acordo prevê o apoio ao desenvolvimento de pesquisas colaborativas entre pesquisadores da IBM e de instituições de ensino superior e de pesquisa do Estado de São Paulo, com perspectivas de investimentos de até US$ 500 mil compartilhados entre a Fapesp e a multinacional.

Para ele, o apoio financeiro será essencial na condução do projeto em São Carlos. A pesquisa “demanda muita computação, poder de processamento, e o projeto vai nos ajudar a comprar o equipamento”, aponta. Atualmente, a equipe conta não apenas com profissionais do CeMEAI, como também de demais unidades da USP, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), entre outras.

“Um dos objetivos é transferir o conhecimento gerado pela pesquisa nas universidades para as empresas”, finaliza o professor.

A relação dos projetos aprovados pode ser acessada em www.fapesp.br/10836. Nos próximos meses deverá ser divulgada uma nova chamada de propostas para incentivo a pesquisas como essas.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Fapesp

Mais informações: (16) 3373-9691, com o professor André Carvalho

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