Nova metodologia ajuda a nortear processo decisório de políticas públicas urbanas

Segundo Karin Marins, existem muitas oportunidades para se instrumentalizar o processo decisório na governança urbana e torná-lo “mais coerente com as políticas de desenvolvimento de longo prazo que o município realmente precisa”

Há uma carência de aplicações metodológicas que deem uma orientação em governança que ajude a mapear e a melhor qualificar as várias necessidades das áreas da cidade – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Uma nova metodologia desenvolvida na Escola Politécnica da USP permite qualificar e tornar mais eficientes os processos de governança urbana. O estudo, recentemente concluído por pesquisadores da USP e detalhado em artigo publicado em abril na revista Sustainable Cities and Society, apresenta um método de avaliação baseado em parâmetros multicriteriais, como densidade populacional, mobilidade urbana, gestão de resíduos sólidos e também hierarquização das demandas pautadas por comunidades locais.

Uma aplicação prática dessa metodologia foi feita em alguns distritos do município de São Paulo, utilizando dois parâmetros: adensamento populacional e diversidade socioeconômica. A conclusão foi a de que existem áreas na capital — como a Sé e Vila Prudente — que têm bom desempenho em relação a essas questões, apesar de localizadas em regiões diferentes. Mas, quando comparadas aos distritos de Perus e São Mateus, a diferença de desempenho foi de quase dez vezes, o que evidenciaria a prioridade para recebimento de incentivos ao desenvolvimento nessas regiões.

“Vemos uma carência de aplicações metodológicas que, de fato, deem uma orientação em governança que ajude a mapear e a melhor qualificar as várias necessidades das várias áreas da cidade”, diz a professora Karin Marins, do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP, em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição. Ela coordena um grupo de pesquisa dedicado ao desenvolvimento de modelos de avaliação sistêmica urbana. 

“Temos avançado, em termos de políticas urbanas, em vários segmentos. Mas as políticas, por si só, não executam e colocam em prática as transformações necessárias”, afirma. “Existem muitas oportunidades para se instrumentalizar o processo decisório, de forma que ele se torne algo mais coerente com as políticas de desenvolvimento de longo prazo que o município realmente precisa.”


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