Treino físico reduz sintomas da asma em pessoas obesas

Redução de peso diminuiu pressão sobre pulmões, que acentuava a dificuldade de respirar provocada pela doença

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Grupo de pacientes com asma realizou treinamento físico supervisionado durante 12 semanas, por uma hora e meia, duas vezes por semana – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O treinamento físico reduz de forma significativa os sintomas da asma em pessoas obesas, revela pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Em pacientes que fizeram dieta combinada com os exercícios houve maior redução de peso, diminuindo a pressão sobre os pulmões que acentuava a dificuldade de respirar causada pela doença. Com menos sintomas, houve melhora na atividade física, que atingiu níveis similares aos de não asmáticos. Os pacientes também passaram a dormir melhor e ir menos vezes ao pronto-socorro.

Treino alternou exercícios aeróbios com trabalho de fortalecimento muscular – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

“Havia uma barreira para a indicação de exercícios físicos a asmáticos, pois 90% apresentavam falta de ar causada pelo fechamento das vias respiratórias como reação ao esforço físico”, aponta o professor Celso Carvalho, da FMUSP, coordenador da pesquisa. Nos obesos, que representam cerca de 50% dos pacientes asmáticos, o excesso de peso comprime os pulmões, o que agrava os sintomas e a inflamação. “Isso leva a um maior de medicação à base de corticoides, que faz a pessoa reter mais líquido no corpo e ganhar peso, piorando a asma.”

A pesquisa avaliou se o treinamento físico tem efeitos positivos no controle da asma em obesos. “Devido à doença, o asmático apresenta uma pior qualidade de vida e de sono, além de sintomas de ansiedade e depressão mais graves”, observa a fisioterapeuta Patrícia Duarte Freitas, que estudou o tema no doutorado. Quando o paciente apresenta obesidade, o quadro é agravado. “A asma é um fator a mais que leva ao sedentarismo, dificultando a redução de peso e levando, em alguns casos, à realização de cirurgia bariátrica para controlar a doença.”

No estudo, pacientes passaram por programa de nutrição, com realização de dieta, e acompanhamento psicológico – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O estudo avaliou 56 pacientes, com idades entre 18 e 60 anos, atendidos no Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP, divididos em dois grupos. “Para perder peso, todos os participantes passaram por um programa de nutrição, com a realização de uma dieta, além de acompanhamento psicológico”, conta Patrícia. Um dos grupos também realizou treinamento físico supervisionado durante 12 semanas, com duração de uma hora e meia, duas vezes por semana. “O programa alternava exercícios aeróbios, em esteira, bicicleta ergométrica e simulador de caminhada, com o trabalho de fortalecimento muscular.”

Atividade física

Por meio de aparelhos colocados na cintura e no pulso dos pacientes, os pesquisadores acompanharam os efeitos na atividade física, função pulmonar e qualidade do sono. “O grupo que não fez treinamento perdeu aproximadamente 3%, enquanto quem realizou o treino físico teve uma diminuição de cerca de 7% no peso”, relata a fisioterapeuta. “Sem os exercícios, há alguma melhora nos sintomas da asma, tais como tosse, falta de ar, fadiga e cansaço, porém não há melhoras na qualidade do sono e no controle da doença.”

O treinamento, ao reduzir peso, diminui a pressão sobre os pulmões, que tornava mais grave o fechamento das vias respiratórias pela asma. “O pulmão funciona melhor, o que leva o paciente a se sentir bem e fazer mais coisas no dia a dia”, explica Carvalho. O nível de atividade física passou a ser semelhante ao de pessoas não asmáticas. “Antes do treino, os participantes andavam cerca de 7.500 passos por dia, média comum às pessoas sedentárias. Com o treinamento, eles começaram a andar diariamente 10.000 passos, o que indica uma vida fisicamente ativa.”

Equipe médica do Ambulatório de Pneumologia do HC: Patrícia Freitas, Rafael Stelmack, Regina Carvalho e Celso Carvalho – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Os pacientes que fizeram o treinamento físico apresentaram ainda melhoras no controle clínico da asma. “Eles sentem menos falta de ar, dormem melhor e acordam menos vezes durante o sono”, destaca o professor da FMUSP. “Por meio de questionários, foi possível verificar que aconteceram menos idas ao pronto-socorro e uma redução do uso da ‘bombinha’ devido a crises de asma.”

A pesquisa foi realizada por uma equipe multiprofissional, envolvendo as áreas de clínica médica, endocrinologia, pneumologia, fisioterapia, psicologia e nutrição. O estudo teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnólogico (CNPq). O trabalho é descrito em artigo do American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine (AJRCCM), revista científica publicada pela American Thoracic Society, nos Estados Unidos.

Mais informações: e-mail cscarval@usp.br, com o professor Celso Carvalho

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