Tecnologia 100% nacional que detecta icterícia em bebês chega ao HC em Ribeirão

Conhecimento gerado na academia leva empresa a produzir primeiro equipamento brasileiro para medir bilirrubina

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Diretoria do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto recebe a doação em cerimônia - Foto: Divulgação/FMRP
Diretoria do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto recebe a doação em cerimônia – Foto: Divulgação/FMRP

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP recebeu, em março, de uma empresa de Ribeirão Preto, o primeiro aparelho desenvolvido no país capaz de medir níveis de bilirrubina no sangue de recém-nascidos.

Foi uma doação em reconhecimento ao trabalho do professor Arthur Lopes Gonçalves (foto), titular aposentado do Departamento de Puericultura e Pediatria da FMRP, que acompanhando de perto os desafios da neonatologia brasileira percebeu o que um equipamento do tipo fazia. Segundo o professor, os que existem atualmente são importados, caros e não apresentam tanta precisão e confiabilidade.

A bilirrubina é um dos produtos da degradação da hemoglobina que existe naturalmente no sangue. Mas, quando em excesso, a substância pode causar icterícia, patologia que se manifesta em cerca de 70% dos recém-nascidos, podendo chegar a 90% em prematuros.

Foto: Wikimedia Commons
Foto: Wikimedia Commons

Problema dos mais comuns em neonatologia, a icterícia é tratada eficientemente com fototerapia. Contudo, por ser tóxica ao sistema nervoso central, os níveis da bilirrubina em recém-nascidos devem ser controlados com precisão e frequência que podem chegar a intervalos de quatro horas.

Como os equipamentos hoje disponíveis no mercado são importados e caros e, apesar da precisão, a tecnologia que envolve sua produção não é tão complexa, Gonçalves resolveu aceitar o desafio de construir um “Bilirrubinômetro” 100% nacional.

Preciso e menos invasivo

Batizado de Bilirrubinômetro AG – as iniciais do professor Arthur Gonçalves, a máquina desenvolvida em Ribeirão Preto resolveu dois problemas enfrentados pelos similares importados: ser invasivos ou menos precisos. Uma microcentrífuga usa uma amostra de menos de duas gotas de sangue (entre 70 e 80 microlitros) para obtenção do soro que depois será analisado por um conjunto óptico e fotossensores.

Bilirrubinômetro AG, batizado em homenagem ao professor Arthur Lopes Gonçalves, da FMRP - Foto: Divulgação/FMRP
Bilirrubinômetro AG, batizado em homenagem ao professor Arthur Lopes Gonçalves, da FMRP – Foto: Divulgação/FMRP

Para os especialistas, trata-se de um equipamento de simples operação que apresenta diagnóstico rápido e de alta precisão quando comparado aos existentes no mercado. O conhecimento do professor Gonçalves e dos profissionais de engenharia contaram ainda com o financiamento da FINEP, a Financiadora de Estudos e Projetos do Governo Federal.

A obtenção desse novo equipamento nacional “representa o êxito de um projeto inovador que teve origem no ambiente científico e de extensão universitária e progrediu para o mercado”, comemora André Ali Mere, presidente da empresa que desenvolveu o Bilirrubinômetro. No mesmo sentido, adianta o superintendente do HCFMRP, professor Benedito Carlos Maciel, que entende “a dificuldade que existe em viabilizar iniciativas como esta. Temos que comemorar e torcer para que se repitam”.

Rita Stella/Assessoria de Comunicação do Campus de Ribeirão Preto (com informações do jornalista Daniel Navarro)

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