Série documental em áudio acompanha cientistas nos bastidores de epidemias

A produção, que entrevistou pesquisadoras da USP, mostra corrida científica para reconhecer novos vírus e busca por erradicação de agentes transmissores

O podcast é o único brasileiro com apoio do Google Podcasts Creator Program, e conta ainda com aporte financeiro do Instituto Serrapilheira e parceria com a Folha – Ilustração: Larissa Ribeiro/Lab37

Bem antes do novo coronavírus. Da zika à H1N1. A descoberta de um vírus, as formas de transmissão, o desenvolvimento de tratamentos e os impactos socioeconômicos da doença são temas que mobilizam cientistas nos bastidores de uma epidemia. Esses são alguns caminhos percorridos pela jornalista Bia Guimarães e pela bióloga Sarah Azoubel em “Epidemia”, série documental que o podcast 37 Graus e a Folha de S.Paulo lançam nesta terça-feira, 17 de março.

Com lançamento em diferentes plataformas de áudio, a série percorre a trajetória do Zika vírus no Brasil, fio condutor dos sete episódios que explicam os caminhos de uma epidemia, desde a identificação do vírus até impactos socioeconômicos, passando pelas tentativas de combate à doença.

A produção entrevistou pesquisadores de diversas universidades e instituições científicas do país. A professora Deisy Ventura, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, e Margareth Capurro, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, são algumas das cientistas que participam do programa.

 

Deisy Ventura, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP – Foto: IEA/USP
Margareth Capurro, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

No fim de 2014, ano marcado por Copa do Mundo e eleição presidencial no Brasil, começaram a circular no Nordeste do país notícias de uma doença misteriosa, com sintomas de febre baixa, dores articulares e manchas vermelhas, que passavam em cerca de quatro dias, o que levou muitos médicos a darem diagnóstico de dengue “leve” aos pacientes. Contudo, o infectologista Kleber Luz, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, levantou a suspeita de essa seria uma doença nunca vista no Brasil, a zika, também transmitida pelo Aedes.

Em outubro de 2015, bebês com malformação alertaram para relação entre o vírus da zika e o surto de microcefalia que surgia também no Nordeste, mostrando que a epidemia era muito mais grave do que se pensava.

Resposta da ciência brasileira

Essa corrida científica é contada na série por sanitaristas, infectologistas, virologistas, neurocientistas e historiadores, que dividem o microfone com pessoas infectadas. A série destaca ainda a atuação de neuropediatras e obstetras nordestinas que ganharam as manchetes internacionais pelo pioneirismo na identificação da síndrome congênita do zika.

As histórias da epidemia são acompanhadas de perto por Bia Guimarães e Sarah Azoubel, que levam os ouvintes para dentro de hospitais e laboratórios de diversas universidades e instituições científicas do Brasil, como Unicamp, USP, UFPE, UFRN, UFRJ e Fiocruz.

“Normalmente nós saíamos de lá [Fiocruz-PE] nove, dez horas da noite, de segunda a segunda. Só tinha um assunto: zika. O que tinha acontecido, o que o laboratório tinha conseguido, qual a informação de outros grupos de pesquisa, qual era a demanda mais urgente. Era como uma obsessão”, conta Celina Turchi, pesquisadora da Fiocruz PE e coordenadora de estudos sobre a relação entre zika vírus e microcefalia.

Para produzir o podcast, as apresentadoras viajaram pelo Brasil para contar histórias com um pé na ciência, com entrevistados e cenários sonoros que conduzem a narrativa – Foto: Mariana Rodrigues/Lab37

Apesar das inúmeras descobertas realizadas desde que a doença se instalou no Brasil, ainda há muito o que investigar. Patrícia Garcez, neurocientista da UFRJ, conta na série que uma das questões pendentes para a ciência é entender como o zika passa da mãe para o feto. “Se a gente conseguir bloquear essa transmissão vertical será muito interessante em termos de saúde pública.”

O comportamento do vírus no corpo, os efeitos da síndrome congênita a longo prazo, e os motivos da zika ter afetado mais a região Nordeste são outras questões que continuam em aberto e são tratadas na série. “Do ponto de vista científico, para zika, nós estamos na idade da pedra”, afirma Kleber Luz.

“Epidemia”, que terá um novo episódio lançado toda terça-feira, compara ainda o caso do zika vírus com outras doenças, como dengue, chikungunya, ebola, SARS, H1N1 e Covid-19, causada pelo recente coronavírus, sempre entrelaçando diferentes áreas do conhecimento.

Como escutar “Epidemia”

A série estará disponível, a partir desta terça-feira, 17, em todas as plataformas e agregadores de podcast, como Apple Podcasts, Spotify, Google Podcasts e outras. Clique aqui para ouvir o teaser.

Da Assessoria de Imprensa Lab37

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