Pesquisadores repercutem estudos recentes sobre perda de massa muscular

Artigo publicado na revista científica “The Journal of Physiology” também comentou a associação com treinamento combinado

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Além do treinamento de força, estudos indicam que o treinamento aeróbio também pode ser capaz de induzir a proliferação das células satélites musculares – Foto: EEFE-USP

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sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda progressiva de massa muscular e de força, a qual acontece principalmente em idosos. Cientificamente, já se sabe que o treinamento físico ameniza o quadro nessa população, mas muitos fatores ainda precisam ser investigados nesse processo. Em artigo publicado na renomada revista científica The Journal of Physiology, pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP comentaram estudo recente sobre o assunto, estabelecendo paralelos com seus projetos. 

O texto, veiculado na sessão Journal Club, tem autoria do mestrando Guilherme Telles, do doutorando Manoel Lixandrão e do pós-doutorando Miguel Conceição. Todos fazem parte do Laboratório de Adaptação ao Treinamento de Força da EEFE. A sessão é destinada a publicações de novos pesquisadores. Por isso, os professores orientadores Carlos Ugrinowitsch (que orientou Guilherme) e Hamilton Roschel (orientador de Manoel) não constam como autores. A ideia é debater um estudo recém-publicado na revista, trazendo perspectivas e conexões.

Neste caso, o artigo discutido fala sobre mecanismos fisiológicos relacionados ao treinamento e a sarcopenia, detalhando um mecanismo específico nesse processo, que é o controle pelas células satélites musculares. Essas células ficam ao redor das fibras musculares e, a partir de diferentes estímulos, como o hormonal ou o mecânico, elas se proliferam, contribuindo para o reparo da fibra muscular, para a hipertrofia e, teoricamente, para a reversão da sarcopenia.

Pesquisador realiza testes com voluntária no Laboratório de Treinamento de Força – Foto: EEFE-USP

Além do treinamento de força, estudos indicam que o treinamento aeróbio também pode ser capaz de induzir a proliferação das células satélites, por ser um estímulo muito potente para aumentar a vascularização ou capilarização, produzindo um aumento do fluxo sanguíneo no músculo e, consequentemente, para as células satélites. Daí surgiu a proposta de aplicar um treinamento que combine os dois tipos de exercícios – chamado Protocolo de Treinamento Concorrente ou Combinado.

O mecanismo das células satélites musculares é uma das variáveis estudadas no pós-doutorado de Miguel Conceição, cujos principais objetivos, entre outros, é confirmar em estudo minucioso o aumento dessas células com o treinamento concorrente. Além disso, o pesquisador busca comparar o nível desse aumento com situações em que é aplicado apenas o treinamento de força, além do nível de adaptação de força e massa nos dois tipos de protocolo.

Em seu mestrado, Guilherme Telles estuda de maneira aguda (logo após o exercício) os mecanismos epigenéticos que controlam as células satélites – ou seja, de que maneira alguns genes que regulam as células satélites são mais ou menos expressos. Assim como Miguel Conceição, seus testes são realizados em jovens adultos de até 30 anos. Já Manoel Lixandrão investiga as vias de sinalização de síntese e degradação proteica, além da capilarização e da ativação das células satélites.

Idosos realizam exercícios de força e aeróbios na EEFE com auxílio de alunos – Foto: EEFE-USP

O aumento da atividade dessas células e também da força dos voluntários foi observado pelo artigo original. Porém, não houve ganhos na hipertrofia – o que foi um resultado aparentemente díspar. Guilherme Telles comenta que uma dentre as muitas causas para isso pode ser o efeito de interferência produzido pelo treinamento concorrente – ou seja, o treinamento aeróbio inibindo a hipertrofia. Esse efeito de interferência é o grande foco de estudo tanto em sua pesquisa como no pós-doutorado de Miguel Conceição. Além desse possível efeito, o reduzido número de voluntários é mais um fator que deve ser levado em consideração.

Mesmo com essa aparente desvantagem, os pesquisadores ressaltam a importância do treinamento combinado. “Quando pensamos em parâmetros de saúde, o mais importante é uma adaptação cardiovascular e muscular. Nesse sentido, sem sombra de dúvida o treinamento combinado é sempre a melhor opção”, afirma Miguel Conceição.

A afirmação vale para a população em geral, mas Guilherme Telles completa que “o idoso não é só músculo, ele também é capacidade cardiovascular, que é importante para a qualidade de vida e expectativa de vida. Então, se esse protocolo realmente tem potencial do ponto de vista muscular, ele é melhor ainda porque tem um grande potencial cardiorrespiratório”. Ele argumenta que mesmo que haja a possibilidade de deixar de ganhar apenas um pequeno porcentual de hipertrofia muscular, em comparação com o treinamento de força realizado isoladamente, o treino concorrente pode ser bem mais vantajoso por todas as adaptações aeróbias que o praticante irá ganhar.

Os efeitos do exercício sobre o envelhecimento tem uma relevância clínica muito importante”, aponta Hamilton Roschel, professor orientador do doutorando Manoel Lixandrão, quando perguntado sobre a importância de estudos nessa área. O artigo completo dos pesquisadores da EEFE pode ser encontrado on-line no site do Journal of Physiology clicando aqui. Para ler o artigo original que foi comentado acesse: https://doi.org/10.1113/JP276260.

Com informações da Seção de Comunicação da EEFE

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