Óleos de buriti, urucum e cenoura têm potencial para tratar a acne

Os compostos integraram uma emulsão que foi testada “in vitro” e mostrou eficácia contra a doença em seu primeiro grau

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Testes in vitro com óleos de urucum, cenoura e buriti resultaram numa emulsão que inibiu a ação de um dos microrganismos causadores da acne – Foto: SharPx via Flickr – CC

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Uma emulsão desenvolvida à base de óleos de buriti, urucum e cenoura demonstrou potencial para atuar no tratamento da acne em seu grau 1, que é a manifestação mais leve da doença. O produto foi testado nos laboratórios da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, na pesquisa de mestrado da farmacêutica Elizabeth Ramos Romero.

No trabalho Pesquisa e desenvolvimento de emulsões à base de óleos vegetais [buriti, cenoura e urucum] e bases autoemulsionantes aditivadas de óleo de melaleuca e ácido salicílico para o tratamento de pele acneica, Elizabeth testou dois tipos de emulsões diretamente nos microrganismos responsáveis pela infecção: o staphyloccocus epidermidis e o propinonibacterium acnes.

O desenvolvimento da formulação foi feito com a metodologia de diagrama ternário, usada pelos pesquisadores para determinar as proporções dos componentes.Veja na imagem abaixo:

Foto: Elizabeth Ramos Romero / Acervo pessoal

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Os testes foram feitos in vitro e as emulsões foram aplicadas por microdiluição de microplaca, comparando seus efeitos com apresentações comerciais do Brasil e da Colômbia indicadas para o tratamento da acne. “Uma das emulsões continha apenas os óleos de buriti, urucum e de cenoura, enquanto a outra formulação foi feita com os óleos e ácido salicílico, medicamento já utilizado no combate à acne”, descreve a pesquisadora. Veja na imagem abaixo as respectivas formulações para os testes:

As amostras correspondem a: 1 provas com microplacas; formulação 2 só com óleos vegetais; 3 com óleos vegetais e ácido salicílico; 4 produto comercial colombiano; 5 produto comercial brasileiro; 6 amostras controles. Poços com coloração roxo/azul indicam que houve crescimento do microrganismo. Já a coloração rosa mostra inibição da proliferação do microrganismo – Foto: Elizabeth Ramos Romero / Acervo pessoal

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O resultado é que a formulação dos óleos e a formulação dos óleos acrescida do ácido têm um efeito bacteriostático, ou seja, freou a proliferação do staphyloccocus epidermidis, que é o microrganismo mais predominante na acne. “Ainda serão necessários novos estudos para combater o propinonibacterium acnes”, explica Elizabeth.

A acne em seu estágio inicial apresenta cravos, mas sem lesões inflamatórias – Foto: Derek Miller/Flickr-CC

 

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Evolução da acne

Elizabeth ressalta que o sucesso da emulsão se deu com a doença em seu grau 1. “A acne em seu estágio inicial tem como principais sintomas os comedões, mais conhecidos como cravos, mas sem lesões inflamatórias”, descreve a pesquisadora. Em seu grau 2, a doença tem como sintomas, além dos comedões, pápulas e pústulas, que são elevações causadas na pele por reações inflamatórias que podem conter pus. “No caso do grau 3, além dos comedões e espinhas, pode-se observar lesões císticas já maiores”, observa Elizabeth.

Elisabeth Romero iniciou suas pesquisas na FCFRP em 2014 – Foto: Elizabeth Ramos Romero / Arquivo pessoal

De acordo com a farmacêutica, ainda não é bem definido na literatura médica se a acne tem relação com o tipo de alimentação consumida. “O que sabemos é que se trata de uma doença ligada às mudanças hormonais, em que as glândulas sebáceas depositam mais gordura na pele”, afirma Elizabeth, ressaltando que, em sua pesquisa, somente os efeitos da acne na pele foram considerados.

O trabalho foi embasado em estudos anteriores, principalmente indianos, em que foram constatados efeitos positivos de compostos antioxidantes e fenóis contra microrganismos. O estudo também contou com a colaboração de cientistas da Universidade de Antioquia, em Medellín, na Colômbia, onde os óleos foram caracterizados para determinar suas capacidades antioxidantes. “Os óleos apresentaram, justamente, como principais componentes, antioxidantes e fenóis em suas composições”, conta a pesquisadora.

As pesquisas de Elizabeth tiveram início em 2014 e todos os testes foram feitos, segundo ela, seguindo a guia de estabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A pesquisadora acredita que num prazo de seis meses a um ano já poderão ser realizados testes em humanos. O estudo foi concluído em abril de 2017, sob orientação do professor Pedro Alves da Rocha Filho, da FCFRP da USP.

Mais informações: e-mail eramosro@usp.br, com Elizabeth Ramos Romero

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