Estudo contesta uso de maconha no tratamento da dependência de cocaína

Grupo da USP acompanhou dependentes em reabilitação, constatando maior índice de recaída e pior funcionamento cognitivo entre os que fizeram uso da maconha

Esperava-se que o uso da maconha pudesse reduzir ansiedade e fissura pela cocaína, mas efeito não se comprovou – Foto: jcomp/Freepik

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Pesquisa brasileira publicada na revista Drug and Alcohol Dependence contesta o uso recreativo de maconha como estratégia de redução de danos para dependentes de crack e cocaína em reabilitação. Dados do artigo indicam que o consumo da erva piorou o quadro clínico dos pacientes em vez de amenizar, como esperado, a ansiedade e a fissura pela droga aspirada ou fumada em pedra (crack).

O estudo acompanhou um grupo de dependentes por seis meses após a alta da internação voluntária de um mês no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da USP. Os pesquisadores do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea) e do Laboratório de Neuroimagem dos Transtornos Neuropsiquiátricos (LIM-21) da Faculdade de Medicina (FM) da USP constataram que a maconha prejudica as chamadas funções executivas do sistema nervoso central, relacionadas, entre outras atividades, com a capacidade de controlar impulsos.

“Nosso objetivo é garantir que políticas públicas para usuários de drogas sejam baseadas em evidências científicas. Quando as políticas de redução de danos foram implementadas no Brasil, para usuários de cocaína e crack, não havia comprovação de que seriam benéficas. Os resultados deste estudo descartam completamente essa estratégia para dependentes de cocaína”, disse Paulo Jannuzi Cunha, autor do artigo.

Confira aqui o texto na íntegra, por Maria Fernanda Ziegler/Agência Fapesp

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