Estudo aponta que exercício no fim do dia é melhor para hipertensos

Submetidos a protocolo de exercícios leves, com características aeróbicas, participantes foram avaliados por dez semanas

jorusp

Estudo investigou as diferenças em treinar de manhã e ao final do dia, do ponto de vista da saúde cardiovascular. Foram avaliados 50 hipertensos e o resultado apontou que o exercício físico feito entre 18h e 21h traz maior benefício aos pacientes. A tese recebeu menção honrosa da Capes neste ano. O Jornal da USP no Ar conversa com o autor do estudo, Leandro Campos de Brito, pesquisador na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP.

O papel do exercício físico na saúde cardiovascular é comprovado e detalhado por inúmeros artigos na literatura científica, comenta o pesquisador. No entanto, um fator bastante relevante para a eficiência do treinamento é pouco explorado pelas pesquisas da área: o horário em que esse exercício é feito. Foi justamente para esse aspecto que Campos de Brito direcionou seu doutorado.

O fato de o horário alterar o ganho de benefício está relacionado ao ritmo circadiano, ou seja, às variações por que passam as funções do corpo humano em um período de 24 horas. No caso da pressão arterial, há dois picos: “Um em torno das 9h e outro próximo às 18h”, explica Campos de Brito.

Os participantes da pesquisa dirigiram-se para a EEFE três vezes por semana, por dez semanas, totalizando 30 sessões. Eles foram submetidos a um protocolo de exercícios de características aeróbicas, com intensidade de leve a moderada. Foi observado que no período da tarde há maior redução da pressão arterial, acompanhada de vasodilatação. Ao final, chegou-se à conclusão que exercícios físicos realizados entre 18h e 21h trazem, de fato, maior benefício aos pacientes com hipertensão.

O pesquisador pondera que todos os participantes do estudo eram medicados por pelo menos quatro meses, nas mesmas dose e classe. Além disso, possuíam o valor mínimo de pressão para a prática segura de exercícios físicos. Todo o benefício ganho com a prática de atividade física foi adicional ao tratamento médico, esclarece.

Campos de Brito revela que os estudos sobre a temática continuam agora em seu pós-doutorado, na EEFE. “No início, olhamos para as características clínicas, para a pressão arterial propriamente dita. Agora, vamos seguir para os mecanismos.” Com a orientação da professora Cláudia Lúcia de Moraes Forjaz, da EFEE, o pesquisador investiga, do ponto de vista neural, qual a influência do horário na prática de exercícios físicos. Outra pesquisa em curso é a de Luan Azevedo, também orientado por Cláudia Forjaz, que busca realizar uma análise do ponto de vista vascular.


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