Estudo levanta fatores que elevam risco de morte por febre amarela

Pesquisa no HC e no Emílio Ribas analisou mais de 200 pacientes buscando marcadores para a gravidade da infecção; resultados ajudarão na prevenção da mortalidade

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Foto: Laura Domínguez on Visual Hunt/CC BY-NC

A febre amarela é uma das doenças mais perigosas entre as que protagonizam os surtos que costumam aparecer no Brasil. Já existe vacina para se proteger do contágio, mas a quantidade de pessoas que negligenciam e abrem mão de tomá-la ainda é preocupante. Para enfrentar os casos de não vacinados que contraem a doença e impedir que acabem indo a óbito, o professor Esper Kallás, do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), e colaboradores realizam pesquisa que teve resultados publicados na revista inglesa The Lancet Infectious Diseases.

O foco da pesquisa foi organizar e classificar algumas informações que os pacientes que contraíram febre amarela possuem ainda no começo. “Nos concentramos em entender o que as pessoas apresentam no momento em que são recebidas no hospital, e através dessas informações descobrir se o quadro vai piorar ou não”, contou Kallás ao Jornal da USP no Ar.

O professor explica que o estudo abordou 231 pacientes durante um surto que aconteceu em São Paulo, e foi registrado uma taxa de mortalidade avassaladora que chega a 36%. “Em níveis de mortalidade podemos colocar a febre amarela no mesmo patamar do Ebola e com outros vírus graves que existem em outros surtos ao redor do mundo”, complementa.

São diversas as características que o paciente pode possuir no momento em que é admitido no hospital e indicam a necessidade de urgência no encaminhamento para um tratamento intensivo. Entre elas, o professor Esper Kallás destacou a idade avançada, porque, conforme o organismo envelhece, ele se torna menos adaptável para lidar com a agressão proporcionada pela febre amarela. Outro fator notável é o grau de hepatite que o paciente apresenta, detectável por exame de sangue.

Aparentemente intuitiva, mas que não havia sido demonstrada em estudo até então, é a associação entre a quantidade de vírus no sangue e a possibilidade de piora do quadro. A última característica é um nível alto de glóbulos brancos no sangue. O especialista comenta que esse fator é interessante, pois quantidades altas de glóbulos brancos indicariam um combate a bactérias no organismo, enquanto a febre amarela é causada por um vírus.

“Não sabemos exatamente quais os fatores que levam pessoas com altos níveis de glóbulos brancos a piorar o quadro de febre amarela. Uma das suspeitas é de que o vírus causa um mal tão grande ao organismo que outros agentes, como bactérias que vivem no intestino, se aproveitam desse momento de fragilidade e impulsionam a piora do paciente”, explica.

A partir do momento em que esses marcadores são detectados, o paciente deve ser encaminhado para a UTI para receber uma atenção especial às suas circunstâncias. No entanto, ainda não há exatamente um remédio específico para tratar a febre amarela e a multiplicação de seu vírus. Kallás disse que dois estudos já estão sendo desenvolvidos na USP e outros centros colaboradores nacionais.

O primeiro deles é liderado  por Anna Sara Levin, professora da FMUSP, que está estudando um remédio utilizado no tratamento de hepatite C para ver se ele funciona contra a febre amarela. Este estudo ainda se encontra em fase de análise, aguardando resultados. Já o segundo está sendo trazido para ser realizado no Hospital das Clínicas com um remédio novo, produzido fora do País. Esta medicação, chamada galidesivir, mostrou que consegue combater o vírus em laboratório em alguns animais experimentais. O projeto já está aprovado e aguarda novos casos de febre amarela surgirem para se testar a medicação, mas por estarmos em uma época de frio – em que há uma diminuição dos casos – não deve haver progresso no momento.

A melhor saída para se prevenir contra a febre amarela continua sendo a vacinação. “A vacina para a febre amarela é uma das mais antigas disponíveis e possui alta capacidade de proteção. Uma dose ao longo da vida já é suficiente para estar protegido em 95% dos casos”, conta o professor.

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