Colesterol elevado hereditário afeta uma a cada duas pessoas da família

Raul Santos diz que o risco de infarto é identificado através de exame de imagem e cálculo de idade vascular do paciente

Foi apresentado no Scientific Sessions, da American Heart Association (AHA), evento que ocorreu nos Estados Unidos, uma pesquisa sobre hipercolesterolemia familiar, doença silenciosa hereditária que altera o processo de remoção do colesterol do sangue. A doença pode desencadear até 20 vezes mais distúrbios cardíacos e atingir pessoas que possuem a doença até 20 anos mais cedo que a população em geral.

O estudo sobre o tema é resultado de mais de duas décadas de pesquisa. Raul Santos, médico do Departamento de Cardio-Pneumonia e diretor da Unidade Clínica de Lípides do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, falou ao Jornal da USP no Ar sobre o Hipercol Brasil, programa de diagnóstico genético e de tratamento de pessoas com a doença, e explicou sua importância.

O pesquisador explica que uma em cada 250 pessoas são afetadas pelo problema na população geral. No entanto, em famílias que possuem histórico da doença, uma a cada duas pessoas será afetada. A pessoa nasce com o colesterol com valores duas a quatro vezes superiores que o comum e possui maiores chances de ter infarto no miocárdio, angina ou necessidade de ponte de safena e angioplastia.

Foto: Lightwise/123RF

Nos últimos dez anos foi possível avançar nos estudos da doença por conta do Hipercol Brasil, que já avaliou 5 mil pessoas, a maior parte do Estado de São Paulo, e diagnosticou 1,5 mil casos, encaminhando o paciente para tratamento no Incor. Além disso, após o diagnóstico positivo, a família da pessoa é convidada a fazer o teste genético, o que é conhecido por triagem cascata, e acaba identificando o problema em outras pessoas e expandindo o tratamento. Também pode ser feita a prevenção com remédios para diminuir o colesterol, associados a dieta, que, sozinha, nem sempre é suficiente. O LDL, colesterol ruim, tem seu valor normal de 110mg/dl e uma pessoa com hipercolesterolemia alcança o valor de 300mg/ld.

Há uma maneira de identificar o risco de a pessoa desenvolver problemas cardíacos. Com uma tomografia cardíaca, identificam-se placas de aterosclerose ー de gordura ー que entopem as artérias em pessoas assintomáticas. O exame detecta a calcificação nos vasos, sendo diretamente proporcional, ou seja, quanto mais cálcio, mais placas, e quanto mais placas, maior o risco de infarto. Uma pessoa com idade biológica de 40 anos, mas com a coronária repleta de cálcio, apresenta idade vascular de alguém de 70 anos.

No projeto, identificou-se que 20% dos pacientes tiveram algum tipo de evento cardiovascular no passado. Além disso, já estão tratando a terceira geração de algumas famílias e o tratamento foi gradualmente evoluindo. O médico reforça que há muitas notícias falsas na mídia sobre colesterol, como a inutilidade de remédios e diminuição de seu risco, mas isso não deve ser levado em consideração. Para ter informações corretas é importante procurar um médico e seguir suas prescrições.

Ouça a entrevista no player acima.


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