Uso de microRNAs pode combater desgastes dos músculos

Grupo de pesquisadores da USP desenvolveu técnica que promove ganho de força e previne atrofia muscular

Idosos são as principais vítimas de fraturas ósseas e debilidade muscular – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O bom funcionamento do tecido muscular esquelético é importante para prevenir quedas e fraturas ósseas, problemas frequentes em idosos ou com debilidades nos músculos. Uma técnica desenvolvida pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, recentemente patenteada, pode ajudar a aumentar o tamanho e a força do músculo, além de prevenir a atrofia muscular. Coordenado pelo pesquisador Anselmo Moriscot, o grupo analisou um conjunto de microRNAs e identificou um tipo capaz de auxiliar no controle da massa muscular: o microRNA-29c.

MicroRNAs são pequenas moléculas que agem regulando os chamados RNAs mensageiros (mRNAs), que são aqueles lidos em proteínas. Eles são capazes de se ligar nesses RNAs mensageiros e podem gerar dois efeitos: impedindo que os mRNAs sejam lidos em proteínas (perdendo assim a sua função); ou ativando a degradação (eliminação) desse mRNA.

Utilizando ferramentas de bioinformática, os pesquisadores analisaram os genes que estavam sendo expressos no músculo em diferentes situações experimentais e a sua relação com os microRNAs. Após identificarem o microRNA-29c como um bom candidato no controle de massa muscular, realizaram testes em animais para verificar a sua atividade no músculo tibial anterior, localizado na perna.

Para isso, o grupo criou um plasmídeo (molécula circular de DNA), no qual clonou a sequência desse microRNA. Em seguida, injetou essa solução no músculo e, após cerca de 20 minutos, realizou estímulos elétricos, com o intuito de hiperexpressar o microRNA-29c. “Em 30 dias, a técnica proporcionou 40% de aumento da massa muscular e 40% de ganho de força. Ainda não há previsão de testes clínicos [em pacientes], mas os resultados preliminares mostram que, além de expressar os genes envolvidos na hipertrofia, o microRNA-29c foi capaz de inibir aqueles responsáveis pela atrofia”, explica o professor Anselmo Moriscot.

A partir da descoberta, os pesquisadores clonaram diversas combinações nos plasmídeos, utilizando não só o microRNA-29c, mas também o microRNA-29 do tipo A e B, além de algumas mutações. A pesquisa, cujo primeiro autor foi o pós-doutorando William Silva, foi publicada na revista científica Acta Physiologica e teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Aplicações

Segundo Moriscot, a intenção é que, a longo prazo, a tecnologia seja aplicada para a melhoria do estado da massa do músculo esquelético em indivíduos com debilidade muscular, decorrente de lesões nervosas periféricas, lesões ortopédicas, imobilização prolongada de membros, uso prolongado de corticoides, envelhecimento, entre outros fatores.

Para os próximos passos, o grupo de pesquisa pretende testar a eficiência dessa estratégia terapêutica em situações clínicas, como a caquexia (grau extremo de enfraquecimento), ainda utilizando modelos animais. Trata-se de uma síndrome que acomete pacientes oncológicos, que provoca uma súbita perda de peso, tanto de gordura como de massa muscular.

Assessoria do Instituto de Ciências Biomédicas da USP 

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