Pesquisadores investigam tempo que cérebro leva para tomar decisões

A conclusão dos pesquisadores do Neuromat contribui com a teoria de que o cérebro é um estatístico

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No último dia 15 de maio, o pesquisador do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CePID) em Neuromatemática (Neuromat) André Frazão Helene e colegas publicaram Na sequência de modelos de aprendizagem: controle de malha aberta não estritamente guiada pela Lei de Hick, na Scientific Reports, revista científica do grupo Nature. “O significado disso é que o sistema nervoso, com base em experiências passadas, gera previsões sobre o que ocorrerá no futuro”, explica o pesquisador.

Esta descoberta está em contraste com a Lei de Hick, uma teoria sobre o tempo que uma pessoa leva para tomar uma decisão em função das possibilidades que ela encontra: mais especificamente, aumentar o número de opções vai aumentar, também, o tempo de decisão logaritmicamente. Já no estudo publicado pelo grupo de Helene, a complexidade das possibilidades oferecidas gera três padrões diferentes de desempenho do sistema: “uma fase em que o aumento da complexidade não aumenta o tempo; uma em que aumenta rapidamente e uma terceira, em que a complexidade é tão alta que o sistema nervoso é incapaz de se preparar e deve esperar cada estímulo como se fosse totalmente imprevisível”, descreve o pesquisador.

Para Helene, a associação entre o número de opções e a tomada de decisão não é direta, já que envolve os estímulos que o cérebro pode receber do próprio ambiente. “Nosso modelo mostra como se dá a relação entre o valor da pista e a aposta feita pelo sistema nervoso. Caso o sistema acerte a aposta ele terá um desempenho melhor, caso contrário o desempenho será pior”, conta. De acordo com o pesquisador, o benefício ou prejuízo resultante de cada aposta pode se dar de diferentes maneiras, uma vez que o sistema nervoso consegue se pré-ativar, buscando diminuir o tempo de processamento de uma informação. O grupo de cientistas fez um experimento com 48 voluntários em que cada um deveria prever a sequência numérica apresentada pelo computador, chamada tarefa de previsibilidade. Os resultados mostraram que o desempenho todo, e não necessariamente apenas o tempo de resposta, é afetado pela repetição do estímulo e pela incerteza da sequência numérica.

A conclusão dos pesquisadores contribui com a teoria, proposta pelo NeuroMat, de que o cérebro é um estatístico. “O cérebro aposta o tempo todo e monitora constantemente cada evento, atualizando a capacidade de prever e de acertar”.

O artigo levou à reedição completa do verbete “Lei de Hick” da Wikipédia em Português, além da incorporação de uma seção sobre “Exceções à lei de Hick” na Wikipédia em Inglês, em 21 e 24 de março, respectivamente, como parte de projeto do Neuromat para atualizar nesta enciclopédia o conteúdo relacionado à teoria do cérebro.

Tabita Said / Equipe de Difusão do NeuroMat

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