Descoberta no Marrocos liga fóssil de 350 mil anos a nós

Dois artigos publicados na revista Nature trazem contribuições importantes para compreender a cronologia da evolução humana. Ciência USP conversou sobre o assunto com o paleoantropólogo Walter Neves.

Dois artigos publicados na última edição da revista Nature datam em cerca de 350 mil anos os fósseis de hominídeos encontrados no sítio arqueológico de Jebel Irhoud, no Marrocos. A revista divulgou o achado científico como a descoberta dos mais antigos fósseis de Homo sapiens já encontrados. O paleoantropólogo Walter Neves, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP, avalia que os artigos trazem contribuições importantes para compreender a cronologia da evolução humana, mas recomenda cautela com tal afirmação.

Assista ao comentário do professor Walter Neves:

A datação em 350 mil anos antecipa consideravelmente a cronologia do Homo Sapiens, pois os fósseis da espécie mais antigos até então, encontrados na Etiópia, datavam por volta de 200 mil. Neves sugere que os resultados dos estudos com os fósseis do sítio marroquino indicam a possibilidade de os ossos não pertencerem nem aos humanos modernos, nem a uma espécie mais antiga – Homo heidelbergensis, que viveu na África há aproximadamente 800 mil a 300 mil anos. “É justamente um intermediário entre essas duas espécies”, diz ele.

Os primeiros fósseis de hominídeos recuperados de Jebel Irhoud foram encontrados por operários entre 1961 e 1962. “Como não foi uma escavação controlada, havia grande dificuldade em se datar o material. As estimativas iam de 40 mil a 160 mil anos. A morfologia sugeria uma idade mais antiga, mas as datações que se tinham, embora precárias, não passavam de 160 mil anos”, conta o professor do IB.

Além do material encontrado na década de 1960, os artigos publicados na Nature descrevem novos fósseis descobertos em uma escavação recente. Foi graças a essa escavação e ao avanço nas técnicas utilizadas pelos arqueólogos que os cientistas puderam datar o material a partir de sedimentos no solo onde os ossos se encontravam.

Por Mônica Teixeira e Silvana Salles, do Núcleo de Divulgação Científica da USP
Imagens: Lucca Chiavone
Edição: Silvana Salles e Lucca Chiavone

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