Biodiversidade marinha brasileira ganha série com dez livros

Diferentes habitats dos ambientes costeiros são tratados em publicações que analisam papel da biodiversidade nos serviços ecossistêmicos

Diferentes habitats dos ambientes costeiros são tratados em publicações que analisam papel da biodiversidade nos serviços ecossistêmicos (foto: recife de coral no litoral da Bahia - Foto: Ruy Kikuchi
Diferentes habitats dos ambientes costeiros são tratados em publicações que analisam papel da biodiversidade nos serviços ecossistêmicos. Na imagem, recife de coral no litoral da Bahia – Foto: Ruy Kikuchi

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A biodiversidade marinha no Brasil ganhará uma série com dez livros em inglês voltados para estudantes, pesquisadores e demais interessados em conhecer os ambientes costeiros.

Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e editor-chefe do projeto, explica que a série Brazilian Marine Biodiversity é resultado de um trabalho crescente que começou com a criação da Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos), criada com apoio da Fapesp no âmbito de um acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para consolidação do Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota). O ReBentos está vinculado à Rede Clima na sua sub-rede Zonas Costeiras.

“Temos pouco material publicado sobre a biodiversidade brasileira em língua inglesa e a abordagem que usamos nessa série é nova. Optamos por trabalhar os habitats não apenas do ponto de vista da biodiversidade, mas do funcionamento do ecossistema e das ameaças que ele sofre. Vamos tratar de aspectos mais funcionais desses ambientes”, disse Turra.

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Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos) – Foto: Reprodução

A costa brasileira e sua diversidade de vegetação e ecossistemas são capazes de armazenar milhões de toneladas de carbono, o que torna o Brasil um bom lugar para testar novos mecanismos para avaliar e conservar o chamado carbono azul – CO2 armazenado em ecossistemas costeiros.

Turra explica que a falta de estudos de longo prazo da biodiversidade tem deixado o Brasil para trás na avaliação global das consequências das mudanças ambientais globais em ecossistemas costeiros. Um dos papéis da ReBentos é ampliar o conhecimento desse assunto não só no meio acadêmico, mas também para estudantes e o público geral.

Com o auxílio do programa Sisbiota foi possível estruturar a rede de pesquisadores sobre a temática da biodiversidade marinha e mudanças climáticas. “De certa forma, a ReBentos induziu no Brasil o estudo desse casamento entre mudanças climáticas e organismos bentônicos”, disse Turra, um dos criadores da rede, à Agência Fapesp.

A ReBentos reúne 166 pesquisadores em toda a costa brasileira, pertencentes a 57 instituições de ensino e pesquisa nacionais e internacionais com atuação nos 17 Estados costeiros.

Não por acaso, os dez livros seguem a mesma divisão dos oito subgrupos criados na ReBentos que também são os habitats dos animais bentônicos: bancos de rodolitos, costões rochosos, estuários, fundos submersos vegetados, educação ambiental, manguezais e marismas (pântanos salgados) e praias e recifes coralinos. Há ainda mais dois livros, sobre plataforma continental e gramas marinhas.

“A série apresenta uma análise do papel da biodiversidade e da importância dos serviços ecossistêmicos. Discute também as ameaças a cada habitat, como poluição, espécies invasoras e mudanças ambientais globais”, disse Turra.

Os livros da série Brazilian Marine Biodiversity:

  • Estuaries

Editores: Paulo da Cunha Lana (UFPR) e Angelo Fraga Bernardino (UFES)

Estuários são ecossistemas costeiros que incluem uma variedade de habitats com dinâmica, fauna e sedimentos próprios. A combinação de mudanças em hidromorfologia e clima representa graves ameaças aos ecossistemas estuarinos em escala global.

  • Deep sea habitats

Editores: Paulo Yukio Gomes Sumida (USP), Angelo Fraga Bernardino (UFES) e Fábio Cabrera De Léo (University of Victoria)

Os habitats de profundidade são parte importante do território brasileiro, responsáveis por um aumento na biodiversidade nacional.

  • Shallow continental shelf habitats

Editor: Paulo Yukio Gomes Sumida (USP)

A plataforma continental é um dos habitats marinhos mais impactados no Brasil. Não só a pesca como a exploração de petróleo e gás representam importantes ameaças à biodiversidade.

  • Marine and Coastal Environmental Education

Editores: Natalia Pirani Ghilardi Lopes (UFABC) e Flávio Berchez (USP)

A importância da Educação Ambiental Marinha é ainda maior diante de mudanças nos ambientes costeiros e marinhos que devem afetar negativamente os ecossistemas brasileiros. No entanto, até o momento apenas 32 contribuições relacionadas a esse tema foram publicadas no Brasil.

  • Rhodolith beds

Editores: Paulo Antunes Horta (UFSC), Marina Nasri Sissini (UFSC) e Pablo Riul (UFPB)

Rodolitos costeiros formam oásis de alta biodiversidade entre ambientes sedimentares do leito marinho. Compostos de camadas de rodolitos ou nódulos de algas calcárias não articuladas e seus componentes, representam uma extraordinária biofábrica de carbonatos.

  • Rocky shores

Editores: Ricardo Coutinho (IEAPM) e Ronaldo Christofoletti (Unifesp)

No Brasil, os costões rochosos estão concentrados nas costas Sul e Sudeste. Existem diferentes tipos de substratos e paisagens marinhas com elevada heterogeneidade ambiental e responsáveis por hospedar alta biodiversidade.

  • Sandy beaches

Editores: A. Cecília Z. Amaral (Unicamp), Guilherme Nascimento Corte (Unicamp) e Hélio Hermínio Checon (Unicamp)

As praias brasileiras constituem um ecossistema-chave que fornece valores socioeconômicos e de serviço. Elas desempenham um papel importante na manutenção das populações humanas e na conservação da biodiversidade.

  • Vegetated bottoms

Editores: Margareth da Silva Copertino (FURG) e Joel Christopher Creed (UERJ)

Gramas marinhas estão entre os ecossistemas mais ameaçados da Terra. O conhecimento dos padrões e processos predominantes que governam as gramas marinhas ao longo da costa brasileira é importante para a discussão global sobre as mudanças climáticas.

  • Mangroves and salt marshes

Editores: Yara Schaeffer-Novelli (USP), Catarina Lira (Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro), Guilherme Abuchahla e Gilberto Cintrón-Molero (Instituto BiomaBrasil)

O Brasil tem uma das maiores áreas de mangues do mundo. Algumas características dos mangues e marismas os fazem extremamente sensíveis a mudanças ambientais, fazendo dos ecossistemas excelentes indicadores de mudanças ambientais.

  • Coral reefs

Editores: Rodrigo Johnsson (UFBA), Elisabeth Neves (UFBA), Zelinda Leão (UFBA) e Ruy Kenji P. Kikuchi (UFBA)

Os diferentes tipos de recifes de corais no Brasil sofrem com a ação do homem, principalmente no que se refere ao aumento da sedimentação devido à remoção da mata atlântica e ao descarte de efluentes industriais e urbanos.

Os livros serão lançados a partir do segundo semestre de 2017 pela Springer e serão vendidos pelo site da editora.

Maria Fernanda Ziegler / Agência Fapesp

Mais informações: site www.springer.com/series/15050

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