USP instala estação sismográfica para monitorar tremores de terra em Jurupema (SP)

Instrumentos irão monitorar os tremores e buscar as possíveis causas desse fenômeno natural

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Marcelo Bianchi, pesquisador do Centro de Sismologia da USP - IAG - Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Marcelo Bianchi, pesquisador do Centro de Sismologia da USP – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A USP instalou esta semana uma estação sismográfica em Jurupema, distrito de Taquaritinga, região central do Estado de São Paulo, para monitorar e buscar as possíveis causas dos tremores de terra que começaram a ser registrados no local desde janeiro deste ano. Até o momento, foram detectados pelo menos seis abalos de baixa magnitude,  2 pontos na escala Richter.

Logo após o início das ocorrências de tremores,  a  equipe do Centro de Sismologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), ambos da USP, foi acionada pelas autoridades locais. A estação sismográfica, que deverá permanecer no local por tempo indeterminado, irá medir os movimentos terrestres com o intuito de gerar informações sobre a localização exata do foco (hipocentro) e a magnitude do sismo em escala Richter. Segundo o professor Marcelo Bianchi, do IAG, a presença da USP onde ocorrem os abalos traz mais tranquilidade e segurança para a população. “É dada uma explicação racional para fenômenos que nem sempre são compreendidos pelas pessoas em seu dia a dia”, afirma ele.

Embora os abalos tenham sido frequentes, nada de mais grave foi registrado entre a população porque os tremores foram de baixa intensidade, não sendo suficientes para provocar estragos.

Pelo Brasil

Tela de monitoramento das estações sismográficas - Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Tela de monitoramento das estações sismográficas – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Além da estação sismográfica de Jurupema, a USP, em parceria com mais outras três instituições (Observatório Nacional do Rio de Janeiro, Universidade de Brasília e Universidade Federal do Rio Grande do Norte), mantém outras 80 estações permanentes instaladas espalhadas por todo o território brasileiro.

Segundo Bianchi, nenhum cientista ainda é capaz de prever com exatidão quando vão acontecer terremotos – e ele também não tem certeza de que um dia esse tipo de previsão será possível. Por isso mesmo é que se destaca a importância do trabalho que o grupo realiza: mesmo sem dizer se os tremores ocorrerão de fato e em que data, os estudos fornecem dados sobre as regiões com maior propensão aos abalos no Brasil. Este conhecimento pode ajudar as autoridades no planejamento de construções mais adequadas, que podem resistir a um evento do tipo.

O Centro de Sismologia disponibiliza gratuitamente relatórios e informes contendo dados sobre terremotos e atividade sísmica de maior impacto no Brasil e no exterior. Os últimos episódios sentidos e relatados pelos informes aconteceram em Londrina, no Paraná, em janeiro de 2016, e em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015.

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Cidade de Jurupema – Fonte: Google maps

Dia 5 de novembro de 2015, por exemplo, quando aconteceu o rompimento da barragem em Mariana, as estações registraram seis tremores de terra próximos à mineração Samarco, em Bento Rodrigues, MG. O relatório emitido pelo centro não conseguiu estabelecer correlação entre os abalos sísmicos e o rompimento da barragem, mas recomendou que se fizesse aprofundamento de estudos históricos de sismos do passado a fim mostrar ou descartar a correlação.

Em Jurupema, embora ainda não seja possível saber as causas dos abalos sísmicos e se estes vão continuar ocorrendo, pesquisadores fazem as seguintes recomendações: em caso de novo episódio, os moradores devem sair de casa para lugares abertos e não ficar próximos a objetos que possam cair sobre eles. Passado o tremor, deve-se checar se houve dano e, se for preciso, contatar os serviços de emergência – o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil.

Mais informações: (11) 3091-4766 e no site Centro de Sismologia da USP

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