Alunos da engenharia ambiental renovam debate sobre desastre de Mariana

O ciclo de debate foi organizado a partir da visita dos alunos ao local do desastre

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Desde o rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro da empresa Samarco, em novembro do ano passado, os alunos do curso de Engenharia Ambiental da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP sentiram necessidade de debater e falar sobre o acontecimento, com a presença de especialistas de diversas áreas e pessoas que vivenciaram o desastre.

Em vista da realização décima terceira Semana da Engenharia Ambiental, que ocorreu em maio, membros da Secretaria Acadêmica Pró Ambiental (SAPA), docentes do curso e graduandos da disciplina “Monitoramento Ambiental: Casos para Estudo”, ministrada pelo professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento, Evaldo Luiz Gaeta Espindola, idealizaram um espaço para debate com o objetivo de atualizar as informações e renovar a discussão do que foi e ainda precisa ser feito nas áreas afetadas.

De acordo com Espindola, desastres ambientais estão se tornando típicos não apenas no Brasil, mas em diversas partes do mundo, verificando-se o aumento em sua frequência e magnitude. “As consequências desses desastres são imensuráveis, não apenas para o ambiente, mas também para a espécie humana, o que nos leva a refletir sobre as possíveis relações de causa e efeito”, disse o docente.

Exposição na entrada do evento - Foto: Keite Marques/ Assessoria de Comunicação da EESC
Exposição na entrada do evento – Foto: Keite Marques/ Assessoria de Comunicação da EESC

Recentemente, o professor realizou uma visita técnica com os alunos da disciplina às regiões próximas de Mariana (MG) atingidas pelo rompimento da barragem, onde puderam visualizar e avaliar as proporções dos impactos causados, além de dialogar com as vítimas. “Saber da ocorrência de um desastre é muito diferente de ver o efeito dele; nesse sentido, posso afirmar que todos conseguiram ter ainda uma noção maior da sua responsabilidade técnica e social, e com certeza serão profissionais com uma visão diferente”, explicou Espindola.

Com todo conhecimento e experiência adquiridos, os alunos realizaram dois módulos de debate sobre a tragédia, sendo o primeiro voltado aos aspectos sociais e o segundo aos impactos ambientais e aspectos técnicos relacionados às barragens. O primeiro encontro contou com a participação da especialista em sociologia dos desastres, professora Norma Valencio; do membro da Coordenação Estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Thiago Alves; e do membro da Coordenação Regional do MAB e morador de Barra Longa, Sérgio (Papagaio).

Já o segundo ocorreu durante a Semana, com a participação do biólogo Dante Pavan; da pesquisadora do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo, Viviane Schuch; da pesquisadora do Departamento de Hidrobiologia da Universidade Federal de São Carlos, Flávia Bottino; do professor do Departamento de Geotecnia da EESC, Lázaro Valentim Zuquette, e também do professor Espindola como mediador do debate.

Nas duas ocasiões, convidados e público discutiram os prejuízos que ainda estão em andamento e que se manifestam em escala de tempo e espaço diferenciada. Cada palestrante apresentou dentro de sua especialidade os aspectos socioeconômicos e ambientais do desastre, como a morte de trabalhadores, o desalojamento de populações, a devastação de localidades e a desagregação dos vínculos sociais das comunidades, bem como desabastecimento de água, interrupção da geração de energia elétrica e da atividade de pesca por tempo indeterminado, entre outros.

Foi mencionada também a destruição de áreas de preservação permanente e vegetação nativa de Mata Atlântica, a perda da biodiversidade aquática e terrestre, o assoreamento de cursos d’água, a perda e fragmentação de habitats, a alteração dos padrões de qualidade da água doce etc.

Segundo o docente, abordar o assunto no âmbito acadêmico é crucial. “Abordar o desastre ambiental na bacia do Rio Doce é uma forma de chamar a atenção da comunidade acadêmica para a nossa responsabilidade social, técnica e científica, em consequência dos efeitos significativos sociais, econômicos e ambientais”, salientou o professor.

A Semana
A décima terceira Semana da Engenharia Ambiental contou com cerca de 250 participantes vindos da Universidade Federal de São Carlos (UFSC), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Universidade Paulista (UNIP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Pará (UFP), Universidade de Ribeirão Preto (URP), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Centro Universitário Barão de Mauá (CUBM), Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) e Centro Universitário Central Paulista (CUCP).

A cada edição, a SEA busca apresentar uma grade inovadora e diversificada, com a participação de estudiosos e profissionais especializados para tratar das temáticas propostas. Além disso, a Semana carrega como princípio a realização de um evento de forma mais sustentável possível, de acordo com seu plano de sustentabilidade, o qual é um compromisso documentado da comissão organizadora da SEA com o meio ambiente e a sociedade.

O plano contém as descrições dos princípios e metas que norteiam a realização do evento, sendo desenvolvido e melhorado a cada edição da Semana. Nele propõe-se reduzir o consumo de recursos naturais, oferecer alimentação diversificada, destinar corretamente todo resíduo gerado durante o evento, assim como buscar nas tecnologias disponíveis uma redução contínua da geração de resíduos.

Keite Marques/Assessoria de Comunicação da EESC

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