Praga invasora resiste a inseticidas recomendados pelo governo

No Brasil, lagarta de mariposa da espécie “Helicoverpa armigera” ataca lavouras de soja e algodão

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Resistência da lagarta da Helicoverpa armigera a grupo de inseticidas já havia sido relatada em países como Austrália, China, Índia e Paquistão – Foto: Gerhard Waller / Esalq

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Originária do Velho Mundo, a mariposa da espécie Helicoverpa armigera foi reportada no Brasil em 2013, quando causou danos severos e perdas econômicas em torno de US$ 2 bilhões nas lavouras de soja e algodão. Para combater a praga invasora, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento elaborou uma lista de produtos para uso emergencial de controle. O problema é que essas mariposas são altamente resistentes a parte dos inseticidas incluídos na lista, principalmente àqueles pertencentes ao grupo dos piretroides.

“Foram relatadas falhas no controle de H. armigera com esse grupo de inseticidas em diversas regiões produtoras do Brasil”, alerta a engenheira agrônoma Mariana Durigan, que desenvolveu estudo sobre o tema no Programa de Pós-graduação em Entomologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.

Os piretroides são compostos químicos sintéticos similares a substâncias produzidas por flores do gênero Pyrethrum. Segundo Mariana, a resistência das lagartas da H. armigera a esses compostos já havia sido reportada em alta frequência em países como Austrália, China, Índia e Paquistão. No doutorado, sob a orientação do professor Celso Omoto, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq, a engenheira agrônoma procurou caracterizar a suscetibilidade e investigar os mecanismos de resistência da H. armigera a inseticidas que atuam nos canais de sódio, piretroides e oxadiazinas.

A pesquisadora detectou nas mariposas a presença da subfamília do gene P450 CYP337B3, que confere resistência aos piretroides. “Considerando que resistência é um caráter genético e hereditário, nós consideramos a hipótese de que os indivíduos que deram origem às populações de H. armigera no Brasil possuíam (características genéticas) que conferem resistência a piretroides, o que explicaria as falhas de controle observadas em campo”, explica a engenheira agrônoma.

Mariana Durigan também verificou o caráter dominante da resistência da espécie aos inseticidas, o que acelera sua evolução em uma população de pragas.

A pesquisa sugere que deve ser realizada a implementação de um programa de manejo da resistência de H. armigera a inseticidas no Brasil para garantir a vida útil e a eficácia dos inseticidas no campo.

“A implementação de um programa de manejo da resistência de H. armigera a inseticidas no Brasil é crucial e urgente, se quisermos garantir a produtividade e sustentabilidade das nossas lavouras, além de prolongar a vida útil das moléculas disponíveis no mercado”, afirma a engenheira agrônoma.

Parte dos resultados encontrados na pesquisa foi publicada em 2017 na revista Pesticide Biochemistry and Physiology. Em 2017, Mariana foi contemplada com bolsa Capes-PDSE e realizou doutorado sanduíche no Max Planck Institute for Chemical Ecology, na Alemanha, sob a orientação de David Heckel, quando teve a oportunidade de investigar outros mecanismos de resistência a piretroides no Brasil.

Com informações de Caio Albuquerque/Divisão de Comunicação da Esalq

Mais informações: (19) 3429-4477 / 4109 / 4485, e-mail acom.esalq@usp.br, na Divisão de Comunicação da Esalq

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