Ciência luta contra os embustes das teorias de conspiração

Questionamentos são saudáveis, mas precisam ser responsáveis para ter alguma credibilidade

 

Os embates da ciência contra os embustes das teorias de conspiração são o assunto do comentário de Paulo Nussenzveig. “Minha motivação para abordar esse assunto é um artigo de Frank Bruni, publicado no New York Times, em 9 de março, com o título O real horror dos opositores de vacinas“, afirma. “O subtítulo é ainda mais direto: não estamos diante de uma simples crise de saúde pública, é uma crise de sanidade (mental) pública.”

O professor conta que, no ano 2000, o sarampo havia sido declarado extinto, erradicado, nos Estados Unidos. “No entanto, uma teoria conspiratória, baseada num trabalho desacreditado, de que a vacina MMR (contra sarampo, caxumba e rubéola) poderia causar autismo, levou a uma resistência crescente contra as campanhas de vacinação”, aponta. “O resultado foi o retorno da doença, com centenas de casos anuais e prevalência em regiões onde a porcentagem da população imunizada é bem inferior à média nacional.”

“Frank Bruni questiona quantos estudos, quantos dados, quantos argumentos racionais são necessários para convencer os opositores de vacinas dos seus equívocos?”, afirma Nussenzveig. “A pergunta é retórica: esses indivíduos recusam o diálogo racional, preferindo dar credibilidade às mais desvairadas teorias de conspiração, em que nenhum dado é confiável, nada é o que parece e tudo faz parte de um grande esquema para enganar a população. Nas redes sociais, encontram validação para sua postura de desconfiar de especialistas, desconsiderar evidências e refutar raciocínios mais elaborados.”

Ouça mais no áudio acima.

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