Artigo propõe reflexão sobre o papel social do consumo na busca pela felicidade

Autores discutem questões ligadas ao consumo e à supervalorização das aparências no mundo contemporâneo

Em artigo recém-publicado na revista Signos do Consumo, disponível no Portal de Revistas USP, os pesquisadores Rogério Luiz Covaleski e Juliana Kathleen Barbosa de Vasconcelos, ambos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), propõem uma reflexão sobre o entendimento do papel social do consumo no que diz respeito à busca e à construção da felicidade, principalmente agora, com a pandemia de coronavírus. O texto discute também como essa situação poderia afetar o surgimento de uma nova realidade e o quanto os aspectos socioculturais e históricos determinam o consumo potencializado de bens e serviços, tais como na época da Revolução Industrial.

Episódio Nosedive da série Black Mirror – Foto: Divulgação Série Black Mirror via Wikipedia / Uso livre

No artigo “Queda livre”: o consumo como instrumento mestre na construção da felicidade, Covaleski e Vasconcelos citam alguns estudiosos que afirmam que a sociedade vive sob “a forte atuação do espírito… e está inserida em um contexto profundamente marcado pela supervalorização das aparências”. Com o avanço das mídias sociais, o “consumo parece funcionar, de forma progressiva, como instrumento mestre na construção da felicidade”.

Os autores se baseiam no episódio Nosedive (Queda Livre) da série britânica de ficção científica Black Mirror: “A série retrata em cada um de seus episódios diferentes histórias que são ambientadas, em sua maioria, em universos marcados por uma tecnologia altamente avançada, visando, a partir desses cenários, expor de maneira crítica as consequências sofridas pela humanidade”.

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Os autores abordam a obrigatoriedade de “estar sempre bem”, em uma espécie de robotização comportamental do ser humano, sempre de olho fixo nas telas – do micro ou do celular. O artigo cita estudiosos conceituando a construção da felicidade como um “estado de completude” e “uma das maiores buscas do indivíduo contemporâneo”, mas com a tutela incessante da publicidade, já que é “o agente promovedor da materialização dessa felicidade”. O grande perigo é que a felicidade, buscada nesses termos consumistas de hoje, não leva em conta nem abrange o coletivo, pois a busca se torna uma trajetória individualista.

A “sociedade em queda livre”, como mostra a série de TV em questão, é o espelho da sociedade contemporânea que ensina a amar e a buscar somente o que ela dita. Segundo os autores, o estudo analisou “a questão da construção da felicidade na sociedade ocidental contemporânea, visitadas diferentes concepções de felicidade ao longo da história humana até o momento atual”. O artigo é uma excelente dica de leitura reflexiva para esses tempos históricos de pandemia, em que nossos valores começam a mudar, no sentido de rompermos nosso casulo egoísta, olharmos em volta, cooperar com o coletivo, solidarizarmo-nos com o nosso próximo e deixarmos de lado o consumismo, pois chegou a hora de valorizar o que realmente importa, aquilo que não se compra: a vida.

Artigo

COVALESKI, R. L. ; VASCONCELOS, J. K. B. “Queda livre”: o consumo como instrumento mestre na construção da felicidade. Signos do Consumo, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 42-56, 2020. ISSN: 1984.5057. DOI: http://dx.doi.org./10.11606/issn.1984.5057.v12ilp42-56. Disponível em: revistas.usp.br. Acesso em: 02 abr. 2020.

Mais informações: rogerio@covaleski.com.br, com Rogério Luiz Covaleski; e julianabvasc@gmail.com, com  Juliana Kathleen Barbosa de Vasconcelos

Margareth Artur / Portal de Revistas USP


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