USP precisa de voluntários para pesquisa sobre causa de dor no joelho que acomete 22% dos corredores

Para estudar a síndrome da dor femoropatelar, ou a dor anterior no joelho, pesquisa busca por voluntários que ajudarão a verificar se existe relação entre a dor e a mobilidade do pé e a força dos músculos das pernas

Sentir dores no joelho após praticar corrida pode ser mais comum do que se imagina já que chega a acometer boa parte dos corredores amadores e profissionais. Dados mais recentes do Ministério do Esporte, publicados em 2015, mostram que, das cerca de 2,3 milhões de pessoas que praticam corrida, 22% sofriam com dores nos membros inferiores relacionadas à prática. E as partes do corpo mais afetadas pelas dores eram os joelhos, com 28% das lesões; os pés e os tornozelos, com 26%, e lesões nas pernas, com 16%. 

Entender as causas do problema foi o que motivou o fisioterapeuta Antônio Andrade, pesquisador da área de Reabilitação e Desempenho Funcional da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, a investigar a relação entre a mobilidade do pé e a força dos músculos que controlam o arco longitudinal do pé e analisar como elas influenciam o movimento dos membros inferiores.

Para Andrade, uma das explicações para essas dores é o fato de o joelho ser uma articulação interposta entre outras, como o tornozelo ou o pé e a região do quadril, o que o deixa instável, “podendo sofrer influência das articulações proximal, no caso do quadril, e a distal, no caso do tornozelo ou pé”. As alterações das estruturas estabilizadoras dos joelhos, as estáticas e as dinâmicas, estão entre outras explicações possíveis. 

A fraqueza muscular dos quadríceps ou da musculatura anterior da coxa também podem levar a uma disfunção na articulação do joelho e provocar a dor. “Além disso, desequilíbrios musculares entre os componentes medial e lateral da região anterior da coxa também podem causar uma disfunção na articulação do joelho e ocasionar a dor”, diz Andrade. 

Embora seja difícil prevenir que o corredor sinta dores, Andrade afirma ser “importante que o atleta tome cuidados em questões como intensidade e volume de treinos”, além de treinar com supervisão profissional. Importa ainda atentar para questões biológicas, investigando fatores relacionados à diminuição da mobilidade, da força, da execução, do equilíbrio e de qualquer outro problema que possa influenciar no desempenho da atividade física. 

Fatores psicológicos, como estresse e ansiedade, também dever ser levados em conta já que, “direta ou indiretamente, podem influenciar nas lesões durante a corrida”, lembra o pesquisador, que destaca ainda a parte social, pois “algumas pessoas se cobram para fazer um volume maior de treino, correndo o risco de ganhar uma lesão, porque vê outra pessoa correndo mais”.

Para entender essa “dor no joelho”, pesquisa precisa de voluntários

Para o estudo, Andrade procura voluntários, entre 18 e 45 anos de idade, que corram cerca de 15 quilômetros por semana. Esses voluntários precisam ainda apresentar dor na região anterior do joelho há pelo menos três meses, enquanto praticam corridas, saltos, subidas e descidas de escada ou ao se ajoelhar, agachar e ficar muito tempo sentado com o joelho dobrado. Não poderão participar aqueles que possuem problemas de ligamento, apresentam patologia ou problemas no menisco, tendinite patelar ou dor no joelho devido a trauma. Também não serão aceitos os que fizeram cirurgia ortopédica nas pernas, possuem doenças reumatoides, neurológicas ou degenerativas, estão grávidas e ainda quem têm diferença de comprimento de membros inferiores maior que 1 cm. 

Na fase presencial da pesquisa será confirmada a presença da síndrome da dor femoropatelar ou a dor anterior no joelho. Serão realizadas medidas do pé para “entender a mobilidade desse membro” e também avaliações para mensurar a força dos músculos do pé e da biomecânica durante a corrida. 

O estudo Mobilidade, força e cinemática do pé em corredores assintomáticos e com síndrome da dor femoropatelar será realizado no Laboratório de Biomecânica e Controle Motor (LaBioCoM) da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP.

Para se inscrever, os voluntários devem encaminhar mensagem para o e-mail: andradefisio@usp.br.

Ouça no player abaixo a entrevista de Antônio Andrade, aluno de pós-graduação da FMRP, ao Jornal da USP no Ar, Edição Regional.

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