Pandemia afeta negativamente o mercado de crédito

Março teve o pico de endividamento das famílias

Os efeitos preliminares da pandemia da covid-19 sobre o mercado de crédito foram expressivos. A partir da segunda quinzena de março, a média diária das concessões de crédito às pessoas físicas recuou de mais de R$ 2 bilhões para cerca de R$ 1,5 bilhão. O segmento teve uma melhora em abril, retornando aos patamares de abril de 2019, com o aumento na participação dos bancos públicos nos novos empréstimos.

Os dados são do Boletim Crédito de julho de 2020, dos pesquisadores Francielly Almeida e Marcelo Lourenço Filho, coordenados pelo professor Luciano Nakabashi, da FEA-RP.

Também para pessoas físicas houve redução de crédito emergencial (cartão de crédito rotativo e cheque especial). Por outro lado, empresas tiveram alta nas concessões de crédito bancário, refletindo, inicialmente, concessões para as médias e grandes.

Em março deste ano o endividamento das famílias foi de 46,17%, o maior patamar da série histórica do Banco Central. O recorde anterior (46,03%) havia sido registrado em setembro de 2015, auge da crise econômica de 2015-16. Na comparação com abril de 2019, houve alta de 2,69 pontos porcentuais. Desde o início do ano, o endividamento cresceu 0,97 ponto porcentual.

Em maio, a taxa de inadimplência das micros, pequenas e médias empresas foi de 4,18%, aumento de 0,11 ponto porcentual em relação a abril e queda de 0,5 ponto porcentual comparando com o mesmo mês de 2019. Também em maio a inadimplência das grandes empresas atingiu 1,26%, um recuo de 0,03 ponto porcentual em relação ao mês anterior e queda de 0,10 na comparação interanual.

O resultado pode ser explicado pelas medidas propostas pelo Banco Central para manter a estabilidade do sistema financeiro: o conjunto de iniciativas tem o potencial de injetar mais de R$ 1,2 trilhão no sistema bancário (cerca de 16,7% do PIB).

Embora essas medidas tenham sido implementadas a partir de abril, já em março houve crescimento de 8,8% nas operações de crédito no País frente ao mesmo mês do ano anterior. Dentre as modalidades analisadas, houve avanço nos financiamentos (10,3%) e empréstimos e títulos descontados (6,4%).

Na Região Metropolitana de Ribeirão Preto (RMRP) e no município de Ribeirão Preto o crédito cresceu, de forma mais expressiva, na modalidade de financiamentos em geral: a expansão foi de 16,1% na RMRP e de 18,6% em Ribeirão Preto. Os financiamentos imobiliários caíram nas médias nacional e estadual, 1,4% e 1,0%, respectivamente, mas apresentaram crescimento no interior paulista. Na comparação entre março de 2019 e 2020, o financiamento imobiliário aumentou 2,9% na RMRP e 1,5% em Ribeirão Preto.

Por: Leonardo Rezende

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