Ensino não presencial deixa professores angustiados e ansiosos

Segundo especialista, professores reclamam que pedagogia fica comprometida e retorno dos alunos é muito baixo

A implantação do ensino não presencial está trazendo prejuízos para o aprendizado dos alunos e, com a comunicação entre professores e estudantes prejudicada, a pedagogia fica comprometida. Além dos alunos, os professores também estão enfrentando problemas com a situação. 

A professora Bianca Corrêa, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, explica o momento vivido pelos profissionais da educação, como ansiedade, nervosismo e aflição, resultado do retorno baixo dado pelos alunos. 

O trabalho remoto deixa os professores inseguros por ser este um modelo novo de ensino que “da forma como veio não tem sido justo, porque não chega a todo mundo, e porque sequer envolveu os professores no planejamento desse trabalho”, afirma Bianca. 

O fato de ter sido implantado às pressas é o principal problema, segundo a professora, mas não o único. “Os professores deveriam ter participado do planejamento de ações na educação para este período de aulas remotas”, adianta Bianca, destacando ainda que a implantação do ensino presencial tende a não funcionar “porque é autoritário e sem planejamento”. 

Outro destaque de Bianca é sobre a saúde emocional desses profissionais, “cada vez mais estressados durante este período sem aulas presenciais”, gerado por uma grande ordem de fatores. Entre eles, o trabalho intensificado por mais horas, através das redes sociais, ao longo de todo o dia, e muitas vezes à noite, o maior envolvimento com os problemas domésticos e familiares, além da indignação por identificarem muitos de seus alunos sem acesso ao material virtual, já que ”eles não se conformam com esse tipo de injustiça”. 

Bianca também destaca que as aulas remotas não permitem saber se o aluno realmente está aprendendo, o que é um grande problema para o professor. “Não há como controlar os alunos e as medidas que estão tentando adotar para controlar certamente não vão dar certo. O sistema remoto não funciona com crianças pequenas e com adolescentes, porque exige uma autodisciplina enorme.” Para ela, “o controle do aprendizado dos alunos, principalmente do ensino básico, é inviável neste momento”. 

Ouça na íntegra a entrevista da professora Bianca Corrêa ao Jornal da USP no Ar, Edição Regional, no player acima.

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