Economia circular e inovação estão entre as alavancas para o desenvolvimento da economia

Especialistas da USP, que ajudaram na criação do Plano de Cidade, querem Ribeirão Preto investindo em inovação tecnológica e em economia circular nos próximos dez anos

A terceira reportagem do Jornal da USP no Ar – Edição Regional sobre o Plano de Cidade, documento que traça estratégias e propõe metas de ação para a cidade de Ribeirão Preto para os próximos dez anos, trata do desenvolvimento econômico. Esse é o Eixo 2 do plano e foi pensado para alcançar três vertentes, a economia local, a economia regional e a internacionalização, que vai além da transformação do aeroporto Leite Lopes em Terminal Internacional de Cargas. O Plano de Cidade foi elaborado pelo Instituto Ribeirão 2030, com a colaboração de 27 instituições da sociedade civil, incluindo a USP.

Entre as estrelas para obter esse desenvolvimento está o fortalecimento da Economia C, que é a economia criativa, circular, onde o descarte dá lugar ao reaproveitamento através da reciclagem. Segundo os especialistas do plano, através da Economia C, tem-se uma forma alternativa de geração de emprego e renda, numa nova cultura econômica em que não cabe o lixo, o aterro sanitário. 

Para o economista da ONU, Henrique Pacini, a Economia C é uma tendência irreversível em países da Europa e nos Estados Unidos e é a porta de entrada para o futuro. Então, a “ideia é transformar Ribeirão Preto no centro de uma economia circular, dinamizando o mercado de usados, como os sebos. É comum na Europa e Estados Unidos as pessoas comprarem usados. A Suécia já tem supermercado só de materiais usados”, exemplifica.

Além da Economia C, são necessárias ações específicas. Como lembra Cristiano Pavini, coordenador do Instituto Ribeirão 2030, um dos responsáveis pelo Plano de Cidade, é “preciso criar um Plano Municipal de Desburocratização, ouvindo a sociedade e os empresários para reduzir e extinguir processos burocráticos”. Além da desburocratização, Pavivi defende a criação, no âmbito regional, de uma “Agência de Desenvolvimento Regional que agregue os 34 municípios da Região Metropolitana de Ribeirão Preto”. Para Pavini, também é necessária uma estrutura voltada para a internacionalização do município, buscando intercâmbio de informações, investimentos externos, entre outras ações.

Já o professor Erasmo José Gomes, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP), defende investimentos em produção e inovação tecnológica, sua área de atuação. Gomes colaborou com o Plano de Cidade, sugerindo maior atenção à Fipase: “Eu sugeri, entre outras medidas, ampliar o apoio à Fundação Instituto Polo Avançado de Saúde, Fipase, que é uma autarquia municipal gestora do Supera Parque de Inovação e Tecnologia”, afirma o professor, adiantando que trata-se de um ecossistema “muito bem-sucedido de apoio à inovação e fomento às empresas de base tecnológica, as chamadas startups”.

Especialista em agronegócio, Marcos Fava Neves, também professor da FEA-RP, lembrou do potencial da cidade na área de saúde, mas foi mais genérico. Segundo Fava Neves, Ribeirão Preto pode aumentar a geração de renda sem contar com aumento populacional ou de atividades poluidoras. A sugestões do professor giram em torno do fortalecimento da cidade “como polo logístico, educacional, como polo de serviços na área médica, por exemplo, além de polo do agronegócio”.

Ouça no player acima a terceira reportagem sobre o Plano de Cidade com entrevistas de Henrique Pacini, Cristiano Pavini, Erasmo José Gomes e Marcos Fava Neves. A primeira  reportagem, que traz em linhas gerais o que é o Plano de Cidade pode ser ouvida aqui. A segunda reportagem, que trata da modernização da gestão administrativa da cidade, pode ser ouvida aqui

 

 

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