Economia brasileira tem forte recuo em abril

Os Estados do Paraná e São Paulo tiveram as maiores quedas; com aumento do desemprego, 26 milhões de domicílios receberam o Auxílio Emergencial

Houve forte desaceleração da atividade econômica no Brasil em função das medidas de isolamento social para conter a pandemia de covid-19. Os dados são do Boletim Conjuntura Regional de julho, coordenado pelos professores Rudinei Toneto Jr., Amaury Gremaud e Luciano Nakabashi, todos da FEA-RP da USP.

O Paraná registrou o maior recuo entre março e abril, com variação negativa de 11,2%, seguido por São Paulo (-10,4%). Já na comparação entre o meses de abril de 2019 e 2020, o Rio Grande do Sul teve queda de 16%, seguido por Santa Catarina e São Paulo, com -12%.

Os efeitos da retração econômica tiveram impacto na produção industrial em 13 dos 15 locais contemplados na Pesquisa Industrial Mensal Regional do IBGE. As quedas mais expressivas ocorreram nos Estados do Amazonas (-46,5%), Ceará (-33,9%), Paraná (-28,7%), Bahia (-24,7%), São Paulo (-23,2%) e Rio Grande do Sul (-21,0%).

No comércio varejista, as vendas caíram 17,5% entre março e abril. Espírito Santo (-23,4%), São Paulo (-23,3%) e Rio de Janeiro (-18,9%) tiveram as quedas mais intensas. Já entre os meses de abril e maio a recuperação foi rápida: as vendas no comércio varejista cresceram 19,6%. Todas as 27 unidades de Federação assinalaram resultados positivos, com destaque para Rondônia (35,2%). Quando comparado com maio de 2019 o prejuízo para o setor é notável: houve queda de 14,9% nas vendas.

O setor de serviços também sofreu com a desaceleração econômica: Rio Grande do Sul (-15,2%) e Santa Catarina (-13,9%) foram os Estados em que o volume de serviços recuou de forma mais intensa entre março e abril. Na comparação com abril de 2019, os serviços caíram 27,6% no Rio Grande do Sul e 21% no Estado catarinense. São Paulo registrou recuo de 11,6% na comparação mensal e 16,2% em relação a abril do ano passado.

Emprego
Entre a primeira semana de maio e a segunda semana de junho, a taxa de desemprego no País cresceu, passando de 10,5% para 12,4. Amapá (15,8%), Bahia (14,2%) e Acre (12,8%) registram as taxas de desemprego mais elevadas no mês. O saldo líquido do emprego formal no País foi negativo em 331.901 das vagas, o pior desempenho da história. Na comparação com maio de 2019, as contratações caíram 48%.

Na primeira semana de maio, o porcentual de pessoas que foram afastadas do trabalho, devido ao distanciamento social, era de 19,8%, caindo para 14,8% em junho. Os maiores porcentuais de trabalhadores afastados que deixaram de receber remuneração estão em Rondônia (15,9%), Roraima (11,5%), Amapá (11,1%) e Acre (10,5%). Em São Paulo 3,6% dos afastamentos ocorreram sem remuneração e 3,4% continuaram a receber remuneração ou já eram não remunerados.

Os maiores porcentuais de pessoas não afastadas com redução nas horas trabalhadas foram registrados em Estados da região Norte, com destaque para Roraima (30,7%), Amapá (24,6%) e Tocantins (18,9%). Rio de Janeiro (6,2%) e São Paulo (6,7%) foram os Estados com os menores porcentuais de afastamentos em que houve redução na jornada de trabalho.

Auxílio Emergencial
Segundo a edição especial da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD covid-19), 26,3 milhões de domicílios brasileiros (38,7% do total), foram beneficiados com o Auxílio Emergencial em maio. A pesquisa revela ainda que 45% da população, quase 94 milhões de pessoas, residem em domicílios onde pelo menos um morador recebeu o benefício.

Nos Estados do Norte e Nordeste, mais de 40% dos domicílios foram beneficiados com o Auxílio Emergencial. No Amapá e no Maranhão esse porcentual ultrapassou os 60%. A menor proporção de domicílios beneficiados ocorreu em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, Estados com os maiores rendimentos domiciliares per capita.

 

Por: Leonardo Rezende

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