Yara Reis fala sobre a arquitetura do poder

A pesquisadora também fala da persistência das ideologias colonialistas na contemporaneidade e da exclusão de diferentes segmentos sociais pelo discurso dominante

 

No Diversidade em Ciência, Ricardo Alexino Ferreira entrevista a pesquisadora em Estruturas Ambientais Urbanas, Yara Felicidade de Souza Reis, que aborda a arquitetura do poder, tendo como recorte a cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará (atual Belém), da segunda metade do século 18 até os dias atuais. Ela também fala da persistência das ideologias colonialistas na contemporaneidade e de como o discurso da história única narrada pela elite exclui e extermina diferentes segmentos sociais nas composições arquitetônicas.

A pesquisadora Yara Reis é pós-doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e desenvolveu em seu doutorado a pesquisa Urbanismo em Belém na segunda metade do século XVIII. A partir desse trabalho, Yara percebeu como se deu o processo de colonização e sua interface com a arquitetura que, segundo ela, é a maior expressão dos grupos dominantes. Como o colonizador da época utilizava material de alta qualidade, muitas vezes importado da Europa, os prédios tinham melhor acabamento e duravam mais tempo, constituindo-se séculos depois em patrimônios culturais.

No caso da população pobre, a realidade era outra. As construções precárias eram feitas de materiais rudimentares, utilizados do próprio meio ambiente, tais como palhas, madeiras e outros, sendo rapidamente consumidos pelo tempo e deixando poucos registros arquitetônicos dos mais pobres. Para entender esse processo, Yara Reis cita a arquitetura vernacular, que irá tentar resgatar a história desse segmento social. Na entrevista, Yara fala também sobre a escravização dos povos indígenas pelos jesuítas e a desconstrução da história desses povos pelo colonizador.

Tendo como recorte a cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará, ela explica o surgimento da capital do Pará como estratégia portuguesa para a preservação da fronteira brasileira, evitando assim os ataques dos holandeses. Por esse motivo, há um grande investimento dos portugueses, no século 18, para fazer da arquitetura de Belém algo grandioso e intimidador, o que será reforçado durante o período do ciclo da borracha, que acontece no final do século 19.

A pesquisadora Yara Reis integra o Grupo de Trabalho da Associação de Historiadores Latino-Americanistas Europeus (Ahila).


Diversidade em Ciência

O Diversidade em Ciência é um programa de divulgação científica voltado para as ciências das diversidades e direitos humanos, e vai ao ar toda segunda-feira, às 13 horas, com reapresentações às terças-feiras, às duas horas da manhã, e aos sábados, às 14 horas, com direção e apresentação do jornalista e professor da ECA-USP e membro da Comissão de Direitos Humanos da USP, Ricardo Alexino Ferreira, e operação de áudio de João Carlos Megale.

O Diversidade em Ciência é gravado nos estúdios do Departamento de Comunicações e Artes/Educomunicação, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

A Rádio USP-FM pode ser sintonizada em 93,7 MHz/SP ou pelo link http://jornal.usp.br/radio/

.

.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.