Volume de água nos reservatórios é menor do que o registrado antes da crise hídrica de 2013

Segundo Pedro Luiz Côrtes, hoje nós temos 82% do volume total que tínhamos há um ano, culpa da estiagem, que está sendo severa

 30/04/2021 - Publicado há 7 meses

 

O volume total armazenado no sistema Cantareira atualmente é menor do que em 2013, ano que antecedeu uma das piores crises hídricas do Estado – Foto: Spressosp

Em 2021, o período de estiagem, que se inicia com a chegada do outono no final de março e se prolonga até o início da primavera, tem se mostrado mais seco que o normal. O Ambiente é o Nosso Meio desta semana examina os prognósticos climáticos e a situação dos reservatórios e mananciais.

De acordo com Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, em abril choveu somente 11% do que era esperado para o mês inteiro. “Considerando todos os reservatórios, hoje nós temos 82% do volume total que tínhamos há um ano”, afirma em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição. No caso do Sistema Cantareira, o volume total armazenado atualmente é menor do que em 2013, ano que antecedeu uma das piores crises hídricas do Estado.

Desde então, o Sistema São Lourenço, que sustenta cerca de 10% do consumo de água da região metropolitana de São Paulo, entrou em operação. Houve também a transposição parcial de águas para o Cantareira, mudanças na gestão hídrica da Sabesp e economia por parte da população. “Mesmo com toda essa situação, nós temos hoje um volume armazenado menor do que o ano passado e também menor do que em 2013”, comenta Côrtes.

O consumo de água aumentou durante a pandemia, mas não chegou aos patamares registrados antes da crise hídrica. “Nós temos uma população que economiza mais, que privilegia o uso racional da água em relação ao que acontecia. Isso é uma boa ajuda, mas toda essa situação é bastante preocupante”, diz.

Segundo o professor, a estiagem no Sul e em parte do Sudeste durante o verão ocorreu por conta do fenômeno climático La Niña. Mesmo com o fim desse fenômeno, o outono continuou mais seco que o normal. A expectativa é que o inverno e o próximo verão também sejam mais secos que o normal. “Isso é péssimo, porque quando nós realmente vamos precisar de água para recarregar os nossos mananciais, provavelmente não teremos essa água no montante necessário.”


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