USP Mulheres busca soluções para diminuir opressão na Universidade

A Pesquisa Interações traz respostas de 13,5 mil pessoas sobre formas de violência e discriminação

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A Pesquisa Interações, realizada pelo escritório USP Mulheres, foi respondida por 13,5 mil alunos, funcionários e professores de todos os campi da Universidade através de um questionário on-line sobre as opressões sofridas cotidianamente. O escritório pretende, a partir do material conseguido, pensar políticas institucionais para agir contra as violências dentro da USP.

O professor Gustavo Venturi Junior, do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenador da Pesquisa Interações, fala a respeito dos tópicos abordados no questionário, que incluía perguntas sobre as relações entre as três categorias analisadas e sobre as intolerâncias disseminadas nos campi.

Os resultados obtidos mostram um reflexo da sociedade brasileira, na qual a USP está inserida. A cada dez estudantes, sete consideram que a Universidade possui características machistas; dois terços consideram o ambiente racista; mais da metade considera um ambiente LGBTfóbico. Parcela significativa dos participantes da pesquisa considera a USP um ambiente elitista.

Dentre as estatísticas obtidas, a pesquisa mostra que mais da metade afirma já ter deixado de fazer algo que gostaria por falta de condições financeiras, quase metade por temor ou medo de alguém ou ainda por temor de julgamento moral, e mais de um terço por temer julgamentos políticos. Uma ampla maioria dos entrevistados, ou seja, 84% dos estudantes, se sente insegura nos espaços externos e 47% já sofreram violência sexual, moral ou física.

O professor contesta o caráter público e democrático da Universidade, afirmando acreditar que a USP seja um espaço contraditório, apesar da visão de que é um lugar de liberdade, onde não deveriam haver constrangimentos e julgamentos moralistas.

Parte das respostas a respeito de discriminações, humilhações, intimidações e outras formas de violência ainda está sendo apurada e, a partir dos resultados obtidos, poderão ser pensadas soluções para minimizar as opressões dentro da Universidade. O professor comenta que os dados variam consideravelmente quando levado em conta a localização dos estudantes em marcadores de gênero, raça, orientação sexual e classe social.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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